Sexo na mídia estimula violência contra mulher, diz pesquisa

By | 12/03/2010

Um estudo divulgado nesta sexta-feira afirma que a exposição de crianças e adolescentes a conteúdo sexual na mídia vem reforçando a ideia da mulher como objeto de desejo e alvo de violência doméstica.

O relatório Sexualização dos Jovens, da psicóloga Linda Papadopoulos, encomendado pelo Ministério do Interior britânico, diz que os jovens estão cada vez mais expostos a conteúdo relacionado à sexualidade por meio de revistas, televisão, internet e aparelhos de celular, sem que os pais consigam controlar isso.

Segundo ela, esse conteúdo está “legitimando a ideia de que as mulheres existem para serem usadas e de que os homens existem para usá-las”.

Nesse contexto, a pesquisadora entende que a posição da mulher como alvo de violência doméstica acaba virando comum e até aceitável.

Da sexualidade à violência

O estudo diz que as crianças estão sendo cada vez mais retratadas como adultos, enquanto adultos são infantilizados, o que confunde as noções de maturidade e imaturidade sexual.

Além disso, tanto mulheres quanto homens são levados pela mídia a buscar um ideal de aparência física “fora da realidade”, o que resulta em “insatisfação com o próprio corpo, um reconhecido fator de risco para a autoestima, para depressão e distúrbios alimentares”.

“Um tema dominante em revistas parece ser a necessidade das garotas de se apresentarem como sexualmente desejáveis para atrair a atenção masculina”, diz o estudo.

Seguindo esse mesmo raciocínio de subserviência feminina, a violência contra as mulheres acaba sendo banalizada.

O relatório aponta que, desde 2004, a exibição na TV de cenas de violência contra a mulher cresceu 120%, enquanto as de agressão contra adolescentes aumentou 400% no período. Além disso, no cinema, 75% dos personagens e 83% dos narradores são homens.

Papel dos pais e da escola

Papadopoulos entende que essa lógica explica os resultados de uma pesquisa do Ministério do Interior britânico divulgada neste mês.

A análise revelou que 36% dos britânicos acreditam que, em caso de estupro, a mulher deve ser parcialmente responsabilizada se estiver bêbada, e 26% pensam assim no caso de a vítima estar usando roupas sensuais.

A psicóloga cita ainda o dado de que uma em cada três garotas britânicas entre 13 e 17 anos já teve de fazer sexo contra a sua vontade, enquanto 25% delas já sofreram algum tipo de violência física.

Para reverter esse quadro, o relatório defende que os pais acompanhem mais de perto como seus filhos usam a internet e seus celulares e que o Estado tome medidas para coibir a banalização da sexualidade.

A pesquisadora também recomenda que as escolas tragam essa discussão sobre a igualdade de gênero para as salas de aula. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: BBC

Comento: Trata-se de mais uma pesquisa que demonstra os efeitos nocivos provocados pela dita mídia do entretenimento, na mesma linha de outras já mencionadas aqui no blog. O estudo é bem enfático ao afirmar que a “exposição de crianças e adolescentes a conteúdo sexual na mídia vem reforçando a ideia da mulher como objeto de desejo e alvo de violência doméstica”; e o problema, como informa a matéria, é que os pais não conseguem controlar isso.O ponto interessante (e paradoxal) da história é que, apesar de tal constatação, qualquer tipo de ação que tente coibir a publicação de conteúdo imoral pelos meios de comunicação é logo considerada como conservadora e retrógrada. Prova disso é o recente caso da (socialite?) Paris Hilton e o comercial de cerveja que foi suspenso pelo Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar), gerando uma certa indignação em alguns setores do nosso Brasil. Censura. É o que foi alegado. Nesse sentido, em nome da liberdade, quer-se tolerar a banalização da sexualidade e a transformação da mulher em objeto. Num juízo de ponderação entre esses dois valores, a liberdade deve ser mitigada em respeito à moralidade e à dignidade da pessoa humana. Mas, a mente pós-moderna é assim: estranha e paradoxal. Reconhece o prejuízo, mas não aceita a delimitação.

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