“O chamado cristão não é somente para salvar almas, mas também para salvar mentes”, Nancy Pearcey
Tempos atrás escrevi aqui [1] nesta coluna acerca do perigo do antiintelectualismo no meio evangélico. Agora, dando prosseguimento a esta temática, destaco que tal aversão ao trabalho da mente é provocada em grande parte pela ideia enganosa aceita por muitos (cristãos ou não) de que há uma dicotomia entre fé e razão , e que a vida deve ser dividida em dois grandes compartimentos, separando o espiritual do intelectual e o sagrado do secular.
De acordo com essa crença dualista, o primeiro “compartimento” seria para expressar a religião (aspecto espiritual-privado-sagrado) e o outro para viver “a vida real” (aspecto intelectual-público-secular).
A partir desse quadro é possível perceber algumas conseqüências trágicas advindas dessa dicotomia entre fé e razão. O mundo da religião deve se preocupar somente com coisas espirituais, tais como salvação e santidade, e pouco se importar com questões intelectuais, afinal, isso é assunto do “Mundo Real”. Além disso, “nossa vida se torna fraturada e fragmentada, com a fé firmemente trancada no âmbito particular da igreja e família, onde quase nunca tem a chance de instruir nossa vida e trabalho na esfera pública”.
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Acredito que se há esta separação de modo espontâneo, é porque basicamente são temas que não se misturam, como água e óleo. O que gera a falsa noção que os dois são assuntos intelectuais é que, para se exprimir e comunicar a fé religiosa como qualquer outro sentimento, devemos obrigatoriamente convertê-los em termos racionais para que todos entendam, mas isto não quer dizer que tenha a mesma fonte do pensamento puramente analítico e racional. Na verdade, os religiosos com isto querem validar os conceitos metafísicos equiparando-os à racionalidade científica. Isto ficou muito evidente com o espiritismo que emprestou da ciência grande parte de suas explicações, inclusive baseando-se em conhecimentos que com o tempo se mostraram falsos e obsoletos pela própria ciência.