Relativização é o primeiro passo para a inversão de valores

Editorial Mensageiro da Paz – Ano 80 – nº. 1497

Uma das marcas da pós-modernidade (como é definido, pela maioria dos cientistas sociais, esse período da História em que estamos vivendo) é a relativização dos valores. Entretanto, é importante notar que a relativização de valores, que em si mesma já é um mal, não se constitui o final do processo de degeneração moral por que passa a humanidade, mas é apenas uma etapa para se chegar à conclusão lógica de sua implementação. A relativização dos valores, via de regra, é tão somente o primeiro passo para a inversão de valores.

Primeiro, se relativiza o valor para, depois, substituí-lo por outro com o qual foi equivocadamente equiparado no processo de relativização. A relativização não objetiva a lógica hegeliana de tese + antítese = síntese (lógica esta inaplicável na maioria esmagadora dos casos). O seu objetivo é forçar uma equivalência absurda entre a virtude e o vício para, mais à frente, tornar a virtude um vício e o vício, uma virtude.

Eis um exemplo atual disso: Recentemente, a psicóloga francesa Maryse Vaillant lançou um livro intitulado Les Hommes, I’amour, la fidélité (“Os homens, o amor e a fidelidade”). Essa obra é um sucesso de venda em seu país. Mas, o que Vaillant defende ali?

Diz a psicóloga francesa que “a infidelidade conjugal é essencial para o funcionamento psíquico de muitos homens, que não deixam de amar suas mulheres por causa disso” (sic). Ela defende que a maioria dos homens precisa de seu próprio espaço e considera a infidelidade deles “quase inevitável”, além de considerar que aqueles que não têm casos extraconjugais podem ter “uma fraqueza de caráter” (sic). Explica Vaillant: “Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Esses homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Eles não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem”.

Ou seja, para Maryse Vaillant, uma das psicólogas mais famosas da França e uma senhora divorciada há 20 anos, infidelidade conjugal é virtude e fidelidade conjugal é “fraqueza de caráter”, é “anomalia”, algo praticamente “doentio”, “patológico”. Inclusive, ela enfatiza que aceitar a infidelidade masculina pode ser “uma experiência libertadora para as mulheres”. É a beatificação da infidelidade e a condenação da fidelidade! Isso não é relativização de valores. Isso já é inversão total de valores. Mas, só pôde-se chegar a esse ponto (de defesa acadêmica da imoralidade) na sociedade ocidental porque, primeiro, houve uma relativização do que é o casamento e o seu valor até chegar ao ponto em que todo o conceito bíblico e moral de casamento se esvai, sendo substituído pelo seu inverso.

Todos os princípios morais e bíblicos sobre o casamento, como os de Êxodo 20.14, Mateus 5.27,28, Provérbios 5.18 e Hebreus 13.4, passaram agora a serem vistos como algo até mesmo “pernicioso”. E é exatamente o mesmo que está sendo feito em relação ao homossexualismo (vista hoje como natural) e à religiosidade (vista por alguns como “mal social”). Cabe a nós remarmos contra a maré dessa época, chamando as coisas pelos seus verdadeiros nomes.

Fonte: CPAD

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62 thoughts on “Relativização é o primeiro passo para a inversão de valores

  1. Duda

    Olá!

    Olha só, os meus últimos comentários aqui sumiram e eu não vou me dar ao trabalho de rescrever tudo. Até porque este debate está realmente empacado, os argumentos de ambas posições já se esgotaram e o resto é questão de crença indivudual.

    E, além disso, agora tem o Visionário argumentando pelo relativismo: divirtam-se vocês. Depois destes últimos comentários apagados, eu desisto de tentar conversar. Foi mal Leandro, mas acho que o Editor ostensivamente não me quer por aqui. Fico muito decepcionado, mas no fundo já esperava por isso.

    Abraço! Até!

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  2. Fellyp Cranudo

    Seguindo a praxe: Graça e paz,

    Foi um tanto quanto engraçado acompanhar tal empate: Duda-Leandro Teixeira-Editor, mas a confusão teórica do primeiro personagem é tudo menos cômica, nessa busca por??!!?? afinal,o que ele queria mesmo? nesse tempo que passei não consegui assimilar o propósito básico (não tinha propósito nenhum, né?).
    Ao tentar debater sobre uma apologética que visa salvar sua alma se perde no sentido da mesma: APOLOGÉTICA é defesa racional da fé. Reconheço que ao defendermos uma fé baseada nos princípios absolutos (sou mais um absolutista – filma eu, “DudÃO”) dos ensinamentos de Cristo aqueles que racionalmente param e confrontam com aquilo que veem (se não estiverem numa “Matrix”) entregam-se e deixam seus conhecimentos submeterem-se à fé. Nunca o contrário. Mas isso não é o ideal nem o propósito da mesma.
    Junta-se a isso o fato de que “quem convence o homem do pecado é o Espírito Santo” e não outro homem, o que pelas expressões usadas pelo Exmo Duda – ironia é fogo- não é de seu conhecimento (e como seria se este não tem a Bíblia, Palavra de Deus, como sua regra de fé e prática?? – Lembrei, lembrei… não estamos falando de fé, embora um dos apelos do personagem tenha sido “ser alcançado” -!!??!!).
    Quanto a participação do personagem VISIONÁRIO, o que vi foram algumas frases feitas encaixadas no contexto do empate acima mencionado.
    Fazer o que? Não tendo nada para fazer ou não querendo fazer nada poderia ficar aqui, porém meu aprendizado com o Exmo Duda seria apenas no que concerne a ultilização de palavras “bonitinhas” tiradas de um dicionário virtual e isso aprendo pegando o “Aurélio” que tenho em casa.

    Na fé e oração por uma vida cristã sadia e madura,

    Fellyp Cranudo

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  3. Duda

    Olá!

    Satisfação em perceber que estou ganhando ibope. Aloha, Fellyp Cranudo (aliás, onde vocês arrumam esses nomes?!)! Você perguntava qual o meu propósito? Este, simplesmente.

    Você não achou cômica a minha personagem? Normal, deve ter perdido alguma piada… depois eu explico. Já eu acho cômica essa patrulha da moral absoluta que vocês acabaram criando. Eu me divirto com vocês.

    Se serviu para você aprender palavras bonitinhas, Fellyp, fico feliz! Quero dizer que seu nome também é muito fofo. Meu sonho é um dia não precisar mais delas, mas enquanto preciso de palavras, que elas tenham algum efeito estético pelo menos.

    Abraço!

    P.S.: é como eu dizia… os comentários não tem mais argumentos, apenas uma diplomacia hostil de vários debatedores contra minha humilde alma perdida…

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  4. Duda

    Olá aos gladiadores da moral absoluta!

    Agora só com o Fellyp: apesar de você não ter dito nada de teor argumentativo além da sua filiação ao ponto de vista da moral absoluta, achei seu comentário bastante interessante, divertido… você me achou confuso? eu te achei simpático — mais do que o binômio quadrado perfeito Leandro-Editor. Se você, Fellyp (adorei este nome!), quiser continuar conversando, exponha seus argumentos também. Talvez seja mais proveitoso, pelo senso de humor que você vaza de viés. (“viés” também é bonitinha, né não? da próxima vou tentar usar o verbo “soer”, igual ao Editor, pra ficar ainda mais elegante. Só vou ter que comprar um dicionário bom antes, porque já é óbvia a todos a minha ignorância léxico-semântica. Como não seria? Vocês são tão espertos!)

    Abraço!

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  5. Editor

    Caro Duda,

    Apesar das suas reclamações, ainda aguardo sua resposta acerca dos valores absolutos que lhe foram apresentados. Você disse que respondeu, só se for em outro lugar. (Ah, já sei, vai dizer que excluí tb)…

    - coragem (exeplifique historicamente a valorização da covardia);

    - lealdade (mostre-me um povo que tenha aceitado a traição) ; altruísmo (como disse Lewis: “Os povos discordam a respeito de quem são as pessoas com quem você deve ser altruísta – sua família, seus compatriotas ou todo o gênero humano; mas sempre concordaram em que você não deve colocar a si mesmo em primeiro lugar. O egoísmo nunca foi admirado”;

    - sinceridade (quem aceitou sem ressalvas a mentira?);

    Duda, seja objetivo e sem rodeios. Agrupe tudo em um único comentário, mesmo que seja grande…

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  6. Fellyp Cranudo

    Continuando a praxe: Graça e Paz,

    *Sorrindo* Obrigado pela massagem no ego: “fofo”.

    Creio que você não entendeu meu comentário anterior: não é obrigação minha te convencer de nada (logo não há motivo para continuar); minha função é te mostrar a VERDADE, e estando num blog de debate cristão creio que você já notou que “sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.
    Se vier com o argumento de não querer falar em religião fica a réplica: O que você espera? (lembrei, você não espera NADA); ah! e como informação adicional religião funciona no esquema HOMEM procurando DEUS e o cristianismo DEUS procurando HOMEM. Leia a bíblia, sem conceitos previamente formulados, e direcione suas conjuturas.
    Abraços.

    Fellyp Cranudo

    P.S.: ¹Você é homem ou mulher?
    ²Não pergunto isso pelos argumentos usados, mas pelo adjetivo empregado.

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  7. Fellyp Cranudo

    Errata: Onde se lê: …. “e direcione suas conjuturas” …. Leia-se: ….. “e direcione suas conjeturas”

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  8. Jonas

    “Relativização é o primeiro passo para a inversão de valores”

    Gostaria de me intrometer no diálogo (e me perdoem a indiscrição). Sendo mais ou menos sucinto, darei exemplos e questionamentos a respeito dos valores ditos absolutos apresentados:

    - coragem: um fundamentalista pratica um ato terrorista pelo suicídio, ou um integrante de facção criminosa ordena/pratica um ataque homicida. Isso poderia ser considerado como coragem pelos terroristas/facção? Seria considerado coragem por nós? Os hindus que seguiram Gandhi contra o domínio britânico através da não-violência estavam demonstrando coragem? E o hindu que assassinou o mesmo Gandhi, poderia ser considerado como portador de coragem? Por quem? Os nazistas não estavam, na visão deles, fazendo algo que acreditavam ser benéfico para eles e, quem sabe talvez, para o mundo? Isso poderia ser considerado como coragem?

    - lealdade: nas guerras judaico-romanas, no tempo de Jesus, os zelotas eram contra a dominação romana, e lideraram a revolta dos judeus. Ao cabo que os saduceus (a classe dominante da época) era a favor da helenização e estava ao lado de Roma. Ao mesmo tempo, seus adversários, os perushim (fariseus) estavam mais preocupados com o ensino religioso do judaísmo, e por fim os essênios estavam alheios a tudo isso, se preocupando com outro modo de vida. Quem (ou alguém) estava sendo leal na história?

    - sinceridade: acreditar em algo não-verdadeiro pode ser má-fé? Há quem tenha algo a priori como mentira, mas acaba acreditando tão piamente naquilo que o subconsciente acaba tendo como verdade. Como explicar essa contradição?

    Acreditamos no conceito de bem e mal, mas desnudando toda a moral e ética histórico/social, ainda existiria alguma Ideia perene de Bem e Mal?

    A gravidade sempre existiu (será?) assim como o formato geoide da Terra, mas o que se entende por eles se alterou ao longo do tempo.

    Então, os “valores em si” (ou o termo que os designa) parecem ser imutáveis, e o que muda é a perspectiva deles. Mas são mesmo valores? Ou ideias acerca dos ditos valores? Seriam “absolutamente relativos”/”relativamente absolutos”?

    Agradeço a atenção.

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