Posts Recentes

A internet e a globalização da fé

Posted by on out 16, 2006 in Cosmovisão | 0 comments

Share

Por Marcos Antônio Guimarães

Para entendermos a velocidade com que as mudanças no âmbito religioso estão acontecendo, e o quanto estas têm influenciado tão profundamente o pensamento cristão ocidental, temos que compreender o desenvolvimento da globalização e da internet.

Globalização
Grande parte dos historiadores afirma que o processo de globalização teve início a partir dos séculos XV e XVI com as grandes navegações e as descobertas marítimas. A partir de então, o homem europeu estabeleceu relações comerciais e culturais com povos de outros continentes. Contudo, somente após a queda do socialismo no final do século XX e o avanço do capitalismo é que a globalização efetivou-se.

No Século passado, portanto, identificamos o crescimento espantoso das empresas, queda das barreiras políticas e econômicas, o avanço do multiculturalismo, das tecnologias, a solidificação das instituições bancárias, e a formação de blocos econômicos (União Européia, Nafta, Mercosul, etc.).

A queda do muro de Berlim em 1989 na Alemanha, marcava o fim da guerra fria, e a ascensão do capitalismo e da globalização. Para atender à demanda crescente do capitalismo, surgiram novas ferramentas tecnológicas, entre elas a internet.

Internet
A internet nasceu de uma experiência militar norte-americana para conectar computadores em várias partes do mundo, estendeu-se às universidades, e hoje é uma imensa rede de redes que se estende por todo o planeta. Os computadores são interligados através de rádio, linhas digitais, satélite, fibras-ópticas, linha telefônica, entre outras formas de conexão. Isso já estava no cronograma divino “e a ciência se multiplicará” (Dn. 12.4).

Através da internet, o homem pode estar virtualmente presente em toda a parte do planeta, as pessoas podem se comunicar de maneira eficiente, divulgar sua cultura, seu conhecimento e seu pensamento religioso.

E a fé neste cenário?
O evangelho de Jesus Cristo é universal. Temos uma ordenança para que ele seja anunciado em todo o mundo, para toda criatura (Mc. 16:15).

O teólogo Esequias Soares destacou em um comentário das lições Bíblicas no 3º trimestre de 2000, que o evangelho é uma mensagem globalizada, e que o cristianismo é transcultural, ou seja, o evangelho está acima das culturas. E, portanto, pode perfeitamente atender às necessidades e anseios gerados pela pós-modernidade.

O homem pós-moderno se tornou vazio, materialista, carente de vida espiritual. Um retrato da igreja de Laodicéia (Ap. 3:17).

Estatísticas
O teólogo já citado, ainda destaca que, existem atualmente mais de 6 bilhões de seres humanos, distribuídos em mais de 1.739 grupos étnicos ao redor do mundo. Dados estatísticos nos mostram que cerca de 33% dos moradores da terra ainda não ouviram falar de Jesus. O quadro é mais ou menos assim: 2 bilhões de pessoas seguem o Cristianismo, incluindo os cristãos nominais; 2 bilhões já ouviram falar de Jesus pelo menos uma vez e 2 bilhões nunca ouviram falar de Jesus.

Estamos iniciando o século XXI com 2.500 missionários transculturais brasileiros, de todas as denominações, em mais de 70 países de todos os continentes, com 13% deles na Janela 10/40. É muito pouco. No mundo todo, segundo dados do livro Intercessão Mundial, há 76.120 missionários protestantes estrangeiros num total de 138.492, incluídos os missionários que atuam em seus próprios países. Eis a estatística desse mundo globalizado, com todos os recursos disponíveis. Isso mostra o tamanho do nosso desafio.

Anunciando o evangelho globalmente
Além dos métodos já conhecidos de evangelização, a internet é uma excelente oportunidade, pois permite que milhões de pessoas em todo o mundo ouçam ao mesmo tempo o evangelho: “a sua palavra corre velozmente” (Sl. 147.15).

Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa (Jo. 4:35). Podemos anunciar o evangelho até os confins da terra, mesmo estando em Jerusalém. Pense nisto!

Referências:

SOARES, Ezequias. Missões transculturais no séc. XXI. Disponível em: http://www.ejesus.com.br/conteudo.php?id=5533. Acesso em 13/10/2006.

Read More

A pós-modernidade e os desafios para os nossos dias

Posted by on set 29, 2006 in Cosmovisão | 3 comments

Share

por Marcos Antônio Guimarães

Se houver consenso entre as afirmações que dizem que a verdade e a moral foram substituídas pelo engano e pelo relativismo, estamos, então, diante de um problema estrutural que desafia educadores, líderes e todos aqueles que ainda acreditam na verdade absoluta revelada por Deus nas Escrituras Sagradas.

Temos um cenário moldado pelo pensamento pós-moderno em todas as suas esferas. E suas implicações podem ser detectadas principalmente na religião, na política, na educação e na ética. Para o pós-modernismo, “a única verdade é que não existe verdade”, segundo o escritor colombiano Daniel Salinas.

A narrativa de outro autor nos ajudar a compreender melhor o contexto da pós-modernidade: “Enquanto a modernidade é um manifesto à auto-suficiência humana e à autogratificação, o pós-modernismo é uma confissão de modéstia e, até mesmo, de desesperança. Não há verdade. Há apenas verdades. Não há razão suprema. Só existem razões. Não há uma civilização privilegiada, e muito menos cultura, crença, norma e estilo. Existe somente uma multidão de culturas, de crenças, de normas e de estilos. Não há justiça universal. Existem apenas interesses de grupos. Não há uma grande narrativa do progresso humano. Existem apenas histórias incontáveis, nas quais as culturas e os povos se encontram hoje. Não existe realidade simples, e muito menos a realidade de um conhecimento universal e objetivo. O que existe, de fato, é apenas uma incessante representação de todas as coisas em função de todas as outras”.

Diante desse quadro, não podemos, de forma alguma, ignorar o que está acontecendo à nossa volta, como se não pudéssemos enxergar ou, pior ainda, como se não estivéssemos interessados em enxergar, simplesmente por acharmos que não seremos atingidos por essa avalanche de pensamentos. Mas não é bem assim. Muito pelo contrário. Quando observamos os conteúdos didáticos do ensino fundamental ao acadêmico, conseguimos identificar sim as abordagens sobre os conceitos relativistas e desconstrutivos relacionados aos temas fundamentais da estrutura de uma sociedade, tais como: família, religião e ética.

Identificamos nos livros didáticos baseados no pensamento pós-moderno idéias que propagam reverência à “mãe Natureza” e ainda propõem o fim das diferenças religiosas, morais e éticas, sob a égide do pluralismo e do multiculturalismo. O pluralismo outorga a todas as religiões o mesmo valor soteriológico, moral e espiritual, ressaltando que nenhuma cultura pode ser considerada melhor do que qualquer outra. É justamente esse o ambiente que está formando as novas gerações.

Segundo o escritor Charles Colson, “a maneira como vemos o mundo pode mudar o mundo. Como isso pode acontecer? Quando o cristão se compromete a viver sua fé”. Diante disso, devemos encarar a nossa fé com seriedade e compromisso, sem ignorar que o ser humano é um ser pensante e necessita de respostas. E a única maneira que temos de fornecer respostas que atendam às mais profundas necessidades do ser humano é mediante a verdade absoluta revelada por Deus nas Escrituras Sagradas. Portanto, o desafio está diante de nós, de todos nós, e, principalmente, dos líderes e educadores cristãos.

É tempo de tocar a trombeta em Sião, de alertar sobre os perigos iminentes, antes que seja tarde demais. Não podemos nos sentir satisfeitos com discursos improvisados, simplistas, sem conteúdo. É necessário que haja dedicação e renúncia, para que o povo de Deus se faça mais sábio e preparado para enfrentar um mundo que se transforma a cada dia. O que nos remete à reflexão do escritor Samuel Escobar, com a qual finalizamos este artigo:

“Estamos entrando numa época bem diferente daquela que chamamos de ‘tempos modernos’. Nessa época denominada ‘pós-moderna’, temos a obrigação e o dever, como servos de Deus, de anunciar e viver a fé cristã. Fé esta que tem sobrevivido por vinte séculos, que tem passado de uma cultura para outra. A fé que, há muito, deixou de pertencer somente aos europeus, pois se espalhou por todo o planeta. Se agirmos dessa maneira, o cristianismo deste século será um cristianismo diferente, porque será múltiplo e global. A pessoa central desse cristianismo será o nosso Senhor Jesus Cristo, cuja memória e presença tiveram a capacidade de transcender a todas as culturas. E continuará sendo assim. Essa é a nossa firme esperança”.

Read More

A nossa terra de cegos

Posted by on set 28, 2006 in Cosmovisão | 0 comments

Share

por Valmir Nascimento Milomem Santos

A cada dia que passa surge um fato que contribui ainda mais para a nossa certeza de que o mundo está virado. Ele está de cabeça para baixo. Tá tudo ao inverso. Os fundamentos estão transtornados.

Nessa feita o acontecimento que comprova isso é o seguinte: Um político, por nome Fernando Gabeira, defensor da legalização da maconha e da prostituição no Brasil foi considerado pela Revisa Veja como o atual “paladino da ética e da lucidez na política brasileira”. Ou ainda, como diz a jornalista Lucilla Soares: “Aos 65 anos, o ex-guerrilheiro coroa uma carreira de rupturas radicais como o principal nome da luta pela recuperação da ética e da credibilidade da política brasileira”.

Não é pegadinha, muito menos brincadeira. É isso mesmo o que você acabou de ler: Fernando Gabeira, o homem que já posou de tanguinha nas praias cariocas e dá uns “tapinhas” na cannabis/marijuana/haxixe quando vai em Amsterdã, está sendo considerado atualmente pela maior revista brasileira de notícias, como o grande paladino da moral e da ética na política brasileira atual.

Mas não era para ser diferente. Diz um ditado que em terra de cego, quem tem um olho é rei. Ora, e o Brasil o que é senão uma terra de cegos?! A nossa terra de cegos. Lugar de deficientes visuais quanto à ética na administração do bem público; quanto à utilização da política para melhorar a vida das pessoas; quanto à moral nas relações sociais; quanto à resolução dos problemas sociais. Tudo um bando de cegos!

Nesse sentido, Gabeira, o homem que profere vigorosos discursos no plenário da Câmara de Deputados, e não tem o seu nome indicado nas CPI’s, é o homem de um olho só. Sua deficiência, segundo entendem, resume-se somente em defender a causa da minoria sexual e a legalização do uso da maconha no Brasil. Mas isso atualmente não é nem bem um problema, argumentam. Isso não é uma gravidade, dizem. Portanto, deram-lhe o titulo de paladino da moralidade. O ícone da ética. O paradigma do bom caráter. Absurdo!

Não escondo que gostei de alguns de seus discursos, principalmente aquele em que proferiu contra Severino Cavalcanti, quando na Presidência da Câmara. Acho pertinente também suas manifestações contra o governo lulista-petista. Devo convir, portanto, que Gabeira é um extravagante, revolucionário e até pensador. Mas daí dizer que tal político é o padrão de lucidez na política brasileira. Que ele é o paladino da ética no Congresso Nacional. Isso já é demais!

Veja bem. Paladino é um herói cavalheiresco, errante e destemido, de caráter inquestionável que segue sempre o caminho da verdade, lei e ordem, sempre disposto a proteger os fracos e lutar por causas justas. A palavra Paladino vem do latim palatinus (relativo a palácio). Portanto, esse é um titulo muito pesado para o Gabeira. É muito adjetivo para pouco sujeito. É muita areia para pouco caminhão!

O motivo da atribuição do aludido titulo à Gabeira é simples: o mundo perdeu o referencial de ética e da moralidade. Todos estão completamente sem rumo e sem direção. Não sabem o que é certo ou errado, lícito ou ilícito. Ou melhor, até sabem, mas fingem que não sabem.

Nesse contexto, pessoas que defendem a liberação do comércio da maconha e a “profissionalização” da prostituição são absurdamente considerados como paladinos da moralidade. Afinal, tal forma de pensamento, segundo essa ótica, inclui-se na área de PREFERÊNCIAS e não na área de CERTO OU ERRADO da mente humana. Assim sendo, quando se defende o uso de drogas ou a liberação da promiscuidade a pessoa esta simplesmente fazendo uma opção. Não. De forma alguma! Apoiar a prostituição e a venda de entorpecentes e tão errado quando surrupiar dinheiro público. É tão grave quanto participar de mensalões e sanguessugas.

O problema de tudo isso é que tal forma de concepção de certo e errado é sutil. É algo que vai se tornando comum na sociedade. Corriqueiro. Normal. No caso em questão, por exemplo, na semana seguinte à publicação da matéria sobre Gabeira, nenhum leitor se manifestou. Ninguém debateu. Todos ficaram silentes, ou por não considerarem as posições de Gabeira equivocadas, ou por medo de represália.

Eis aí, portanto, um bom momento da manifestação dos cristãos convictos demonstrarem o fundamento de sua fé. Defenderam o nome de Cristo. Apresentarem o que é realmente certo e errado. E, por fim, evidenciarem que em terra de cego, quem tem um olho só também é um deficiente, e da mesma forma, precisa de ajuda divina para restabelecer sua visão.

Read More

A didática do humor

Posted by on ago 11, 2006 in Diversos | 0 comments

Share

por Valmir Nascimento (Publicado na Revista Profissão Mestre)

De tempos para cá o humor tem sido objeto de estudo de muitos pesquisadores. O riso transformou-se em centro de investigação por parte de estudiosos dos mais variados ramos de atividade, buscando, com isso, descobrir os principais benefícios desse simples ato do ser humano: sorrir.

Já está mais do que provado, portanto, principalmente pela ala da neurociência, que o bom humor não tem nenhuma contra-indicação e que, pelo contrário, só contribui para o bem. Está provado, por exemplo, que o riso é um forte indício de inteligência
e, melhor, que o riso constante aumenta a inteligência.

Na área da saúde, por exemplo, a terapia do riso ou a “risoterapia” tem sido utilizado em muitos hospitais no mundo todo. Segundo o Dr. Eduardo Lambert , clínico geral, homeopata e terapeuta, autor do livro “Terapia do Riso – A Cura pela Alegria”, o riso e sua onda vibratória transmitem energia e uma química que se espalha por todo o corpo, provocando o relaxamento muscular de todos os órgãos. “Mesmo o simples esboçar de um sorriso ou uma gargalhada, estimulam o cérebro a produzir endorfinas, substâncias químicas com poder analgésico, que proporcionam uma enorme sensação de bem-estar”. Além disso, acrescenta Lambert, “as endorfinas estimulam o sistema imunológico contra reações alérgicas, bactérias e vírus; protegem o aparelho circulatório contra enfartes e derrames; ajudam a melhorar a pressão arterial, ampliam a capacidade respiratória e promovem uma ação anti-envelhecimento”.

Nos relacionamentos interpessoais, o bem humorado vive intensamente cada momento e tem sempre sorriso no rosto, ri até mesmo dos próprios erros e dificuldades, criando um clima agradável que estimula as pessoas que convivem com ele a opinar, a participar, a dar o melhor de si, pois se sentem à vontade para arriscar, ousar e inovar, sem medo de serem criticadas.

Na educação, o humor cria um ambiente propício para o desenvolvimento do aprendizado e da criatividade. Com brincadeiras, risadas e alegria, o aprendizado fica divertido, mais eficiente e menos enfadonho, fácil de memorizar e menos pesado. As pessoas bem humoradas têm consciência de que tudo é aprendizado. Segundo Josiane Benedet: “um toque de humor deixa o ambiente menos formal e cativa os alunos. Quando o professor ‘brinca’, os alunos relaxam e se sentem mais próximos, gerando uma atmosfera amistosa”.

As pesquisas, como se percebe, evidenciam os benefícios do humor; falta agora sabermos de onde ele provém. Jasiel Botelho, um cristão cheio da graça – em ambos os sentidos -, responde essa indagação da seguinte forma: “Não foi o homem, não foi o diabo que inventou o humor. O humor foi criado por Deus. Ele o usa em sua própria criação. Basta olhar os animais, como são engraçados, seus corpos, suas formas, o jeito deles viverem. Quem tem olhos para ver, percebe que Deus fez suas criaturas com amor e humor”.

Certo está Jasiel. O verdadeiro humor, aquele que é santo e sadio, não tem outra fonte senão Deus. O bom riso é produto do Criador; o qual Paulo coloca como sendo fruto do espírito em Gálatas 5:22, qual seja a alegria. Esta alegria é resultado imediato do perdão dos nossos pecados e da restauração da nossa comunhão com Deus. Davi tinha plena compreensão a respeito disto, tanto que, quando pecou, quando sentiu que não mais tinha comunicação com Deus, pediu ao Senhor que lhe tornasse a dar “a alegria da salvação” (Sl.51:12). A alegria verdadeira e permanente é conseqüência da salvação, da vida de comunhão com Deus por intermédio de Cristo Jesus.

Benefícios do humor na educação cristã
Em relação à educação cristã, diversos sãos os seus benefícios. Segundo Jasiel “O bom humor é inofensivo a todos os seres humanos, desmascara a hipocrisia, e tem relações profundas com a alegria pura e com a felicidade. Brincar com as nossas posições teológicas e fazer humor da nossa vida religiosa permite-nos ser espirituais e não legalistas; santos e não moralistas; verdadeiros e não hipócritas. Não devemos ter medo de rir, pois rir é coisa séria, e se não for o melhor remédio, eu diria que é melhor que remédio”.

O humor é um instrumento muito poderoso na comunicação da verdade. Alicerçados em uma linguagem forte, interessante e sadia, o humor e a ironia serão capazes de romper a rotina mental, ultrapassar o limite das palavras e nos colocar diante de realidades que antes desconhecíamos. O humor é um dos grandes reveladores da verdade.
O humor também tem como benefício “quebrar o gelo” inicial. Aquele que é muito comum no inicio da aulas, naquele momento em que professor e aluno ainda não se conheceM. O riso é, sobretudo, a boa forma de apresentação, de maneira a “desarmar” aqueles que não estão a fim de assistirem a aula.

O humor possibilita um ambiente de maior liberdade em sala de aula, o que abre espaço para a maior participação dos alunos, principalmente em assuntos que sejam necessária a oitiva de pontos de vistas. Lembremos que foi-se o tempo que a preleção era a forma de ministração de aula, atualmente,mister se faz a participação efetiva dos alunos no processo de ensino/aprendizagem.
Rir ou não rir: Eis a questão

Feitas essas primeiras considerações acerca da importância e dos benefícios do humor, fazemos, então, a seguinte pergunta: O humor serviria também como um instrumento para potencializar o ensino da palavra de Deus na Igreja? Ou ainda: O humor pode ou deve ser utilizado na Escola Dominical?

Inicialmente, convém relembrar que, por longo tempo (e atualmente ainda existe tal pensamento) o humor e o sorriso foram considerados por muitos como um grande vilão na igreja, sendo, por conseguinte, banidos de dentro dos templos. Como é o caso daquela criança que por se sentir feliz, sorria despretensiosamente durante o culto, foi quando sua mãe ao ver aquela felicidade tacou-lhe um beliscão, resultando no choro da criança; qual foi a resposta da mãe: – Assim está melhor!

Desta forma, apesar da Igreja cristã pregar demasiadamente acerca da graça e da liberdade divina, observamos exatamente o contrário – templos repletos de cristãos sem graça. Pessoas carrancudas e mal-humoradas; avessas aos risos e ao bom humor. Colocam um zíper na boca para não sorrirem e uma arma no coração para não se alegrarem, crendo, erroneamente, que ser sério é sinônimo de ser sem graça.

Por outro lado, é claro, devemos considerar que muita coisa já mudou. Temos observado continuamente o surgimento de pregadores e educadores que utilizam o recurso do humor na explanação e no ensino da Palavra de Deus, conseguindo com isso, transmitir conhecimento com muito mais segurança e facilidade. É o caso, por exemplo, de pastores, os quais em suas explanações conseguem conjugar humor com verdades bíblicas, risos com doutrinas verdadeiramente cristãs, de maneira a cativar e, sobretudo, formar cristãos conscientes.

O que deve, porém, ficar bem claro aos leitores é que quando mencionamos a importância da utilização do humor como ferramenta para o ensino da Palavra de Deus, nunca perdemos de vista a necessidade da reverência a Deus em sua casa. Assim, ao referendarmos o uso do riso na educação cristã, de modo algum fazemos menção àquele humor negro, sem propósito, preconceituoso e descabido, o qual, consiste unicamente em contar historinhas e piadas em sala de aula. Não se trata, desse modo, de portar-se como um verdadeiro palhaço em sala de aula, fazendo brincadeira com tudo e com todos. Afinal, como bem ressalta Jasiel Botel
ho “o humor nem sempre é um instrumento do bem da verdade. Ele pode expressar amor ou ódio, tolerância ou preconceito, fraternidade ou racismo, sabedoria ou ignorância, ingenuidade ou malícia, graça ou desgraça”.

Desta forma, o humor que aqui mencionamos, trata-se de um humor santo, sadio, inteligente e, sobretudo, educativo; refere-se a uma disposição de espírito em que o educador valendo-se de seus conhecimentos bíblicos (isso é fundamental!), aliado à graça, mantém a sua classe em plena sintonia; consiste, portanto, na formação de um ambiente propício à participação e, conseqüentemente a otimização do aprendizado.
Assim sendo, baseado nos benefícios para a educação e conseqüentemente para o engrandecimento do Reino de Deus, dúvidas não existem de que o humor serve – SIM – como instrumento para potencializar o ensino da palavra de Deus na Igreja e, portanto, na exata medida bíblica, deve ser utilizado na Escola Dominical.

Professor sorria! Você está na EBD
Utilizar o recurso do humor em sala de aula, de fato, não é tão fácil como parece. Afinal, bem sabemos, não são todas as pessoas que têm a predisposição ou o dom (se assim podemos dizer) para a utilização do humor. Aliás, isso está intimamente ligado ao temperamento da pessoa. Certos indivíduos possuem elevada facilidade para sorrirem e brincarem com certa desenvoltura, outros ao revés, são naturalmente mais sérios, formais e sisudos, e, por assim dizer fleumáticos (o que não quer dizer que não sejam pessoas alegres). A esses, a utilização do riso torna-se mais complicada.

Como proceder então, nessas circunstâncias?

Sorria! Essa é a melhor dica. Mas sorria com o coração. O sorriso abre espaço para a amizade e a fisionomia alegre contagia o ambiente. Quando você sorri, está dando liberdade para seus alunos sorrirem também.
De nada adianta, por exemplo, o professor passar trinta minutos da sua aula com a “cara amarrada” e, de repente, soltar uma historinha engraçada. O que vai acontecer? Nada! No máximo os alunos ficarão sem entender o que o professor quis fazer. Afinal, o “cartão de visita” que tal professor havia apresentado no início da aula tinha como título “AUSÊNCIA DE RISO”.

Destarte, a utilização do humor como recurso didático, não se resume a um simples ato isolado na tentativa de causar risos nos alunos, pelo contrário, percorre todo a lição, têm início já no começo da aula, onde o educador ao apresentar o seu “cartão de visita” demonstra que aquela aula terá com base a ALEGRIA, de maneira a cativar a atenção dos alunos, os quais, saberão antecipadamente o estilo daquela aula, qual seja: “PRESENÇA DE RISO”.

O professor que se mantém completamente sério no momento da lição, constrói uma barreira quase que intransponível em relação aos seus alunos. De maneira que esses se distanciam ainda mais na medida em que a aula se torna mais rígida e formal. Fazendo assim com que os alunos desprendam as suas atenções do professor o que culminará, logicamente, em um fraco aprendizado.

De nada adianta também, trazer de casa uma anedota pronta para ser lida mecanicamente em sala de aula. Tal atitude pode até chamar a atenção dos alunos momentaneamente, mas, logo após, tudo volta ao normal. O bom humor, na realidade, é aquele espontâneo, que nasce nas entrelinhas de um ensino; nas pequenas coisas que poderiam passar despercebidos; na aplicação de um caso real, contada de maneira teatral, ou ainda, através da conjectura de atos dos personagens bíblicos. Outro dia, por exemplo, enquanto lecionava para a classe de jovens acerca da parábola da rede, fiz uma conjectura de maneira teatral sobre uma suposta discussão entre Pedro e Tiago, à beira do mar da Galiléia, que demorando um longo período acabou por obstar a pescaria. O objetivo era chamar a atenção dos alunos para a importância da pesca de almas, o que, devido às discussões intermináveis entre os cristãos acaba sendo prejudicada. Como muito bom humor a mensagem foi compreendida pelos alunos e Cristo, engrandecido.

Outra coisa que não se pode esquecer é o fato de que a utilização do humor não deve ficar restrita somente à classes de crianças, adolescentes e jovens. Antes, deve ser direcionada a todas as classes, sejam adultos ou novos convertidos. Ou esses também não têm o direito de rirem também?

História de um cortador de cana
E para terminarmos com muito bom humor, vejamos a estória de certo caipira que estava no seu trabalho rotineiro, num canavial, quando, de repente, viu brilhar três letras no céu: VCC. Muito religioso, o caipira julgou que aquelas letras significavam: “Vai Cristo Chama”. Fiel à visão correu ao pastor de sua igreja e contou-lhe o ocorrido, concluindo que gostaria de devotar o restante de sua vida à pregação do evangelho. O pastor, surpreso diante do relato, disse:
- Mas para pregar o evangelho, é preciso conhecer a Bíblia. Você conhece a Bíblia o bastante para sair pelo mundo pregando a sua mensagem?
- Claro que sim! Disse o homem.
- E qual é a parte da Bíblia que você mais gosta e conhece?
- As parábolas de Jesus, principalmente a do bom samaritano.
- Então, conte-a! Pede o pastor, querendo conhecer o grau de conhecimento bíblico do futuro pregador do evangelho.
O caipira começa a falar:
- Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu entre os salteadores. E ele lhes disse: Varões irmãos escutem-me: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. E lhes entregou seus bens, e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo sua capacidade. E partindo dali foi conduzido pelo Espírito ao deserto, e tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome, e os corvos lhe traziam alimento, pois se alimentava de gafanhoto e mel silvestre. Sucedeu que indo ele andando, eis que um carro de fogo o ocultou da vista de todos. A rainha de Sabá viu isso e disse: “Não me contaram nem a metade”.
- Depois disso, ele foi até a casa de Jezabel, mãe dos filhos de Zebedeu, e disse: “Tiveste cinco maridos, e o homem que tens, não é teu marido”. E olhando ao longe, viu a Zaqueu pendurado pelos cabelos em uma árvore e disse: “Desce daí, pois hoje almoçarei em tua casa”. Veio Dalila e cortou-lhes os cabelos, e os restos que sobraram foram doze cestos cheios para alimentar a multidão. Portanto, não andeis inquietos dizendo: “Que comeremos?”, pois, o vosso Pai celestial sabe que necessitais de todas essas coisas. E todos os que ouviram se admiraram da sua doutrina”.
Depois da sua “brilhante pregação” o caipira, entusiasmado, olhou para o pastor e perguntou:
- Então, estou pronto para pregar o evangelho?
- Olha meu filho, disse o pastor; eu acho que aquelas letras que apareceram no céu não significam: “Vai Cristo Chama”, e sim:
“Vai Cortar Cana!!!”

Read More

A igreja ao gosto do freguês

Posted by on ago 8, 2006 in Diversos | 2 comments

Share

por T.A MacMahon

O movimento chamado “igreja ao gosto do freguês” está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes (que um dos seus líderes chama de “desigrejados” ou “João e Maria desigrejados”). A pesquisa questiona os que não freqüentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os “desigrejados”, mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas. Praticamente falando, dá certo!

Duas igrejas são consideradas modelos desse movimento: Willow Creek Community Church (perto de Chicago), pastoreada por Bill Hybels, e Saddleback Valley Church (ao sul de Los Angeles) pastoreada por Rick Warren. Sua influência é inacreditável. Willow Creek formou sua própria associação de igrejas, com 9.500 igrejas-membros. Em 2003, 100.000 líderes de igrejas assistiram no mínimo a uma conferência para líderes realizada por Willow Creek. Acima de 250.000 pastores e líderes de mais de 125 países participaram do seminário de Rick Warren (“Uma Igreja com Propósitos”). Mais de 60 mil pastores recebem seu boletim semanal.

Visitamos Willow Creek há algum tempo. Pareceu-nos que essa igreja não poupa despesas em sua missão de atrair as massas. Depois de passar por cisnes deslizando sobre um lago cristalino, vê-se o que poderia ser confundido com a sede de uma corporação ou um shopping center de alto padrão. Ao lado do templo existe uma grande livraria e uma enorme área de alimentação completa, que oferece cinco cardápios diferentes. Uma tela panorâmica permite aos que não conseguiram lugar no santuário ou que estão na praça de alimentação assistirem aos cultos. O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.

Sem dúvida, Willow Creek é imponente, mas não é a única megaigreja que tem como alvo alcançar os perdidos através dos mais variados métodos. Megaigrejas através dos EUA adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, espaços para guardar equipamentos, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds, tudo para o progresso do Evangelho. Pelo menos é o que dizem. Ainda que algumas igrejas estejam lotadas, sua freqüência não é o único elemento que avaliamos ao analisar essa última moda de “fazer igreja”.

O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de “o guru do crescimento da igreja”, diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?

Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é “loucura para os que se perdem” e que Cristo é uma “pedra de tropeço e rocha de ofensa” (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8).

_________________________________________________________________________________

Megaigrejas adicionam salas de boliche, quadras de basquete,salões de ginástica e sauna, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds.
_________________________________________________________________________________

Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.

Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.

Essas questões podem não importar a um número cada vez maior de pastores evangélicos, mas, ironicamente, estão se tornando evidentes para alguns observadores seculares. Em seu livro The Little Church Went to Market (A Igrejinha foi ao Mercado), o pastor Gary Gilley observa que o periódico de marketing American Demographics reconhece que as pessoas estão:

…procurando espiritualidade, não a religião. Por trás dessa mudança está a procura por uma fé experimental, uma religião do coração, não da cabeça. É uma expressão de religiosidade que não dá valor à doutrina, ao dogma, e faz experiências diretamente com a divindade, seja esta chamada “Espírito Santo” ou “Consciência Cósmica” ou o “Verdadeiro Eu”. É pragmática e individual, mais centrada em redução de stress do que em salvação, mais terapêutica do que teológica. Fala sobre sentir-se bem, não sobre ser bom. É centrada no corpo e na alma e não no espírito. Alguns gurus do marketing começaram a chamar esse movimento de “indústria da experiência” (pp. 20-21).

Existe outro item que muitos pastores parecem estar deixando de considerar em seu entusiasmo de promover o crescimento da igreja atraindo os não-salvos. Mesmo que os números pareçam falar mais alto nessas “igrejas ao gosto do freguês” (um número surpreendente de igrejas nos EUA (841) alcançaram a categoria de megaigreja, com 2.000 a 25.000 pessoas presentes nos finais de semana), poucos perceberam que o aumento no número de membros não se deve a um grande número de “desigrejados” juntando-se à igreja.

Durante os últimos 70 anos, a percentagem da população dos EUA que vai à igreja tem sido relativamente constante (mais ou menos 43%). Houve um crescimento, chegando a 49% em 1991 (no tempo do surgimento dessa nova modalidade de igreja), mas tal crescimento diminuiu gradualmente, retornando a 42% em 2002 (www.barna.org). De onde, então, essas megaigrejas, que têm se esforçado para acomodar pessoas que nunca se interessaram pelo Evangelho, conseguem seus membros? Na maior parte, de igrejas menores que não estão interess
adas ou não têm condições financeiras de propiciar tais atrações mundanas. O que dizer das multidões de “desigrejados” que supostamente se chegaram a essas igrejas? Essas pessoas constituem uma parcela muito pequena das congregações. G.A. Pritchard estudou Willow Creek por um ano e escreveu um livro intitulado Willow Creek Seeker Services (Baker Book House, 1996). Nesse livro ele estima que os “desigrejados”, que seriam o público-alvo, constituem somente 10 ou 15% dos 16.000 membros que freqüentam os cultos de Willow Creek.

_________________________________________________________________________________

O Evangelho e a pessoa de Jesus Cristo não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos.
_________________________________________________________________________________

Se essa percentagem é típica entre igrejas “ao gosto do freguês”, o que provavelmente é o caso, então a situação é bastante perturbadora. Milhares de igrejas nos EUA e em outros países se reestruturaram completamente, transformando-se em centros de atração para “desigrejados”. Isso, aliás, não é bíblico. A igreja é para a maturidade e crescimento dos santos, que saem pelo mundo para alcançar os perdidos. Contudo, essas igrejas voltaram-se para o entretenimento e a conveniência na tentativa de atrair “João e Maria”, fazendo-os sentirem-se confortáveis no ambiente da igreja. Para que eles continuem freqüentando a “igreja ao gosto do freguês”, evita-se o ensino profundo das Escrituras em favor de mensagens positivas, destinadas a fazer as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas. À medida que “João e Maria” continuarem freqüentando a igreja, irão assimilar apenas uma vaga alusão ao ensino bíblico que poderá trazer convicção de pecado e verdadeiro arrependimento. O que é ainda pior, os novos membros recebem uma visão psicologizada de si mesmos que deprecia essas verdades. Contudo, por pior que seja a situação, o problema não termina por aí.

A maior parte dos que freqüentam as “igrejas ao gosto do freguês” professam ser cristãos. No entanto, eles foram atraídos a essas igrejas pelas mesmas coisas que atraíram os não-crentes, e continuam sendo alimentados pela mesma dieta biblicamente anêmica, inicialmente elaborada para não-cristãos. Na melhor das hipóteses, eles recebem leite aguado; na pior das hipóteses, “alimento” contaminado com “falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam” (2 Tm 6.20). Certamente uma igreja pode crescer numericamente seguindo esses moldes, mas não espiritualmente.

Além do mais, não há oportunidades para os crentes crescerem na fé e tornarem-se maduros em tal ambiente. Tentando defender a “igreja ao gosto do freguês”, alguns têm argumentado que os cultos durante a semana são separados para discipulado e para o estudo profundo das Escrituras. Se esse é o caso, trata-se de uma rara exceção e não da regra!

Como já notamos, a maioria dessas igrejas, no uso do seu tempo, energia e finanças tem como alvo acomodar os “desigrejados”. Conseqüentemente, semana após semana, o total da congregação recebe uma mensagem diluída e requentada. Então, na quarta-feira, quando a congregação usualmente se reduz a um quarto ou a um terço do tamanho normal, será que esse pequeno grupo recebe alimentação sólida da Palavra de Deus, ensino expositivo e uma ênfase na sã doutrina? Dificilmente. Nunca encontramos uma “igreja ao gosto do freguês” onde isso acontecesse. As “refeições espirituais” oferecidas nos cultos durante a semana geralmente são reuniões de grupos e aulas visando o discernimento dos dons espirituais, ou o estudo de um “best-seller” psico-cristão, ao invés do estudo da Bíblia.

Talvez o aspecto mais negativo dessas igrejas seja sua tentativa de impressionar os “desigrejados” ao mencionar especialistas considerados autoridades em resolver todos os problemas mentais, emocionais e comportamentais das pessoas: psicólogos e psicanalistas. Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão. Seus milhares de conceitos e centenas de metodologias não-comprovados são contraditórios e não científicos, totalmente não-bíblicos, como já documentamos em nossos livros e artigos anteriores. Pritchard observa:

…em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels” (p. 156).

Durante minha visita a Willow Creek, o pastor Hybels trouxe uma mensagem que começou com as Escrituras e se referia aos problemas que surgem quando as pessoas mentem. Contudo, ele se apoiou no psiquiatra M. Scott Peck, o autor de The Road Less Travelled (Simon & Schuster, 1978) quanto às conseqüências desastrosas da mentira. Nesse livro, M. Scott Peck declara (pp. 269-70): “Deus quer que nos tornemos como Ele mesmo (ou Ela mesma)”!

Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão.

A Saddleback Community Church está igualmente envolvida com a psicoterapia. Apesar de se dizer cristocêntrica e não centrada na psicologia, essa igreja tem um dos maiores números de centros dos Alcoólicos Anônimos e patrocina mais de uma dúzia de grupos de ajuda como “Filhos Adultos Co-Dependentes de Viciados em Drogas”, “Mulheres Co-Viciadas Casadas com Homens Compulsivos Sexuais ou com Desordens de Alimentação” e daí por diante. Cada grupo é normalmente liderado por alguém “em recuperação” e os autores dos livros usados incluem psicólogos e psiquiatras (www.celebraterecovery.com). Apesar de negar o uso de psicologia popular, muito dela permeia o trabalho de Rick Warren, incluindo seu best-seller The Purpose Driven Life (A Vida Com Propósito), que já rendeu sete milhões de dólares. Em sua maior parte, o livro fala de satisfação pessoal, promove a celebração da recuperação e está cheio de psicoreferências tais como “Sansão era dependente”.

A mensagem principal vinda das igrejas psicologicamente motivadas de Willow Creek e Saddleback é a de que a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo são insuficientes para livrar uma pessoa de um pecado habitual e para transformá-la em alguém cuja vida seja cheia de fruto e agradável a Deus. Entretanto, o que essas igrejas dizem e fazem tem sido exportado para centenas de milhares de igrejas ao redor do mundo.

Grande parte da igreja evangélica desenvolveu uma mentalidade de viagem de recreio em um cruzeiro cheio de atrações, mas isso vai resultar num “Titanic espiritual”. Os pastores de “igrejas ao gosto do freguês” (e aqueles que estão desejando viajar ao lado deles) precisam cair de joelhos e ler as palavras de Jesus aos membros da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-21). Eles eram “ricos e abastados” e, no entanto, deixaram de reconhecer que aos olhos de Deus eram “infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus”. Jesus, fora da porta dessas igrejas, onde O colocaram desapercebidamente, oferece Seu conselho, a verdade da Sua Palavra, o único meio que pode fazer com que suas vidas sejam vividas conforme Sua vontade. Não pode existir nada melhor aqui na terra e na Eternidade! (TBC – http://www.chamada.com.br)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 2005

Read More

Nosso culto errado

Posted by on ago 6, 2006 in Diversos | 0 comments

Share

por Magno Paganelli

Há algum tempo venho me incomodando com algumas afirmações que pastores e pregadores em geral fazem nos cultos. Algo do tipo: “Receba hoje a sua vitória!” “Tome posse da sua bênção”, “Declare a sua prosperidade” ou “Não saia daqui hoje sem levar a sua vitória”.

Quando eu era novo convertido, recém saído do vício, ouvia uma coisa dessas e saía correndo pra casa acreditando encontrar um pacote de dinheiro sobre minha cama, e com ele pagar a dívida com os vendedores de droga. Até hoje nem uma “notinha”.

Eu me decepcionava, de certa forma. E imagino que muitas das pessoas que ouvem essas declarações de “guerra” também se decepcionam no mesmo dia ao chegar em casa, ou alguns dias mais tarde.

Aí alguém pergunta: Mas Deus, ou Jesus, não nos deu autoridade? A nossa palavra não tem poder? Não somos filhos do dono do ouro e da prata? Um monte de perguntas pode ser feita mas não sem antes essa: Nós cultuamos como a Bíblia ensina?

Não. Definitivamente nosso culto nada tem a ver com a forma vista nos cultos descritos nas Escrituras. E já nos cultos do Antigo Testamento, com toda a aparente ignorância de alguns judeus, eles ganhavam de longe da nossa forma de cultuar.

Observe Davi num salmo onde ele declara sua profunda tristeza, o salmo 13. Ele começa dizendo: “Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?” E termina declarando: “Mas eu confio na tua benignidade, na tua salvação meu coração se alegrará. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem”.

Eu citei o salmo 13, mas poderia ter sido qualquer outro salmo de Davi. Na maioria deles aquele rei, que teve uma vida não muito sossegada por causa dos inimigos de Israel, começa apresentando o problema a Deus e termina louvando-o, fazendo declarações de amor, exaltando a grandeza do Senhor.

Voltando um pouco mais no mesmo antigo Testamento, vemos Moisés quando convocava o povo a ofertar para a construção do Tabernáculo. Os hebreus que saíram do Egito, não é novidade, eram um povo problemático. No entanto, Deus manda trazerem ofertas, e a lista começa com ouro, prata e cobre (Ex 25.1-3).

Lá na frente lemos coisas assim: “E veio todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito VOLUNTARIAMENTE o excitou, e trouxeram a oferta alçada ao Senhor”; “E assim vieram homens e mulheres, TODOS DISPOSTOS DE CORAÇÃO; trouxeram…”; “E todo o homem que se achou com… os trazia”; “todo aquele que oferecia oferta alçada de prata ou de metal, a trazia”;

“E todas as mulheres sábias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o fiado”; “E todas as mulheres cujo coração as moveu em sabedoria…”; “e os príncipes traziam pedras sardônicas…”; “Todo o homem e mulher, cujo coração VOLUNTARIAMENTE se moveu a trazer alguma coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moisés” (Ex 35.20-29).

É uma seqüência de dez versículos em que nove apontam para pessoas trazendo e se esforçando para fazer algo para trazerem diante de Deus conforme a sua solicitação.

Fato semelhante aconteceu quando Salomão, filho de Davi, disse que construiria um grande templo ao Senhor. Ele chegou ao ponto de precisar mandar ao povo que parasse de trazer bens, pois já sobravam os recursos, de tanto que o povo se mobilizou.

Para resumir, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, seja no que diz respeito a coisas materiais ou espirituais, o povo da Bíblia se achegava a Deus para “doar”. Não leia “doar” como trazer alguma oferta de dois ou três reais. Leia “doar” no sentido de “oferecer-se”, “esforçar-se”, de “dar-se” a Deus pelo que Ele é, pelo que Ele faz e pelo que Ele pode fazer.

A palavra “cultuar” não quer dizer “ir buscar algo de”. Ao contrário, ela sugere a entrega que o homem faz ao seu Deus. Cultuar, ir ao culto, coisa que alguns só fazem aos domingos, subentende que você irá levar o seu corpo para prestar um culto ao Deus que te salvou, a quem você diz amar! E por incrível que pareça, até as pessoas que cultuam deuses mudos e surdos entendem assim.

Mas o que é que vemos nas igrejas? Pessoas que vão ao templo para resolverem seus problemas financeiros, de desemprego, de saúde, de ordem emocional e outras coisas. Vamos ao culto e alguns pastores nos incentivam a pedir, pedir, pedir. Decretar, decretar, decretar. Exigir, exigir e exigir.

Não é exagero afirmar que esse comportamento é anti bíblico. A igreja não é balcão de atendimento, os pastores não são atendentes e Deus não é devedor a ninguém. Nós é que devemos a Ele todo o nosso louvor, adoração, gratidão.

Aí reside outro engano. Grande parte dos membros de igrejas imaginam que cantar é expressar a verdadeira adoração, e saem dos templos imaginando serem os verdadeiros adoradores a quem o Pai procura desesperadamente (João 4). Mas não.

O louvor, SE BEM FEITO, pode levar à adoração. Mas o simples cantar a letra projetada na parede pelo retroprojetor nada tem a ver com o que Jesus disse sobre adoração. Mas isso é assunto para outra mensagem.

Não quero que fique desapontado se você tem esse tipo de postura nos cultos que freqüenta. Talvez até mesmo eu tenha que mudar meu comportamento e intenção diante de Deus no momento do culto.

O importante é saber que há um imenso abismo entre a forma como entendemos culto e o modo que vemos esse culto acontecendo com os personagens bíblicos. É até o fato de dizer que o cuidado de Deus manifestou-se mais uma vez entre nós.

Por isso vamos cultua-lo. Ele quer ser adorado, reconhecido como o único Deus, o único Salvador. Ele quer receber nossa gratidão pelo que tem feito, e não apenas saber o valor da nossa próxima conta a ser paga.

As bases da nossa relação com Deus devem ser todas revistas e novamente estabelecidas. E isso certamente nos trará saúde espiritual… e quem sabe o dinheiro para você e eu pagarmos a próxima conta, sem ter que exigir, decretar, e fazer declarações autoritárias diante daquele que detêm todo o poder.

Pr. Magno Paganelli
É Pastor e Professor de Teologia, Conferencista Internacional, Autor de 19 Livros.
Site: www.arteeditorial.com.br

Read More

Deus emagrece

Posted by on ago 6, 2006 in Diversos | 3 comments

Share

por Pablo Morenno

O mundo das dietas acaba de ganhar a mais revolucionária. Nada tão drástico como redução do estômago ou áridos jejuns. Depois da dieta do arroz, do toucinho, do gafanhoto, da cebola, a moda é a dieta de Deus. Reportagem no jornal “O Globo” informa que se prolifera nas igrejas estadunidenses esta nova mania para ajudar aos gordinhos, quase 65% dos americanos. Fiéis obesos se reúnem nos templos e formam grupos de auto-ajuda para evitar a tentação de comer compulsivamente.

Mesmo que Max Weber não tivesse descoberto o segredo do capitalismo, eu perceberia. A carta na manga dos americanos é usar Deus com resultados efetivos, enquanto no terceiro mundo só O utilizamos em procissões e promessas. Puseram Deus na moeda, inventaram igrejas que motivam o sucesso, a saúde e o progresso econômico. Deus ajuda na guerra do Iraque e agora – até me estranha ninguém ter antes descoberto – o Todo-Poderoso auxilia os ianques na perda de banha. Receita simples que não veio à mente de nenhum nutricionista periférico. Talvez porque, na África e Latinoamérica, desnutridos é o que não falta. Mas, já que Deus serve pra tudo, ao menos poderíamos ter descoberto uma novena antifome.

Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber já descobrira o nexo entre a idéia calvinista – Deus abençoa seus fiéis com a prosperidade – e o desenvolvimento econômico de nações como EUA, Alemanha e Inglaterra. Enquanto o catolicismo insiste na mortificação e na pobreza como sinal de santidade -santos católicos são pálidos e esquálidos – o protestantismo gerou homens rechonchudos e ricos.

Outro dia ouvi na TV um pastor evangélico dizendo que Jesus pobre era invenção católica. “Ora, Jesus tinha um burro e, naquele tempo, um burro era como uma Ferrari nos dias de hoje”. Eu acho que uma Ferrari naquele tempo era uma carroça romana, mas a retórica é surpreendente.

Só há um porém. Para quem abusou do leite e mel da terra prometida – quer dizer, hambúrguer e coca-cola – há um efeito colateral: a obesidade. Mas o mesmo Deus – que multiplicou fartura e gordura – agora abençoa com a graça da elegância. Basta negociar com o criador as coisas certas ao tempo certo. E ir ao templo.

Nós, bonzinhos e pobres, jejuamos o ano inteiro, curtimos essas longas procissões que emagrecem e, se tivermos comida, vencemos a gula e ainda repartimos com mais miseráveis. Salvo exceções, somos magros. E Deus nos dá uns políticos que roubam dinheiro público e o aplicam em contas no exterior. Alimentam-se bem e engordam por nós. Somos abençoados com a magreza. Deus seja louvado.

Essa dieta, como as outras, em nada me atrai. Só queria que mais esse caso de utilidade divina fosse exemplo para nós brasileiros. Já está na hora de superarmos esse uso restrito de Deus: só para rezas, promessas e procissões. O Supremo precisa ser mais bem aproveitado. Por exemplo, para nos ajudar a escolher políticos decentes nas eleições deste ano. Deus tem de alçar-nos ao primeiro mundo. Tenha piedade de nós, os magros!

Pablo Morenno: Pablo Morenno nasceu em 21.05.1969, em Belmonte, SC, e mora em Passo Fundo, RS. É licenciado em Filosofia e atualmente cursa Direito na Universidade de Passo Fundo. Também é professor de Espanhol em cursinhos pré-vestibular, músico e servidor público federal do Tribunal Regional do Trabalho/4ª Região. Escreve uma coluna semanal de crônicas no jornal O Nacional, de Passo Fundo RS, e colabora com os jornais Zero Hora, Direito e Avesso, Nossa Vida, Revista do TRT e em páginas da internet. Tem vários prêmios literários e publicações em antologias.
fonte: http://www.verdestrigos.org

Read More
 Page 134 of 137  « First  ... « 132  133  134  135  136 » ...  Last » 

Ube

Pesquisar