JOVENS EVANGÉLICOS

Religião
Eles são diferentes. E adoram isso

Jovens evangélicos não bebem, não fumam, não têm sexo fora do casamento. Mas a rigidez diminuiu, eles se sentem melhores que os outros e acreditam num futuro de prosperidade


Juliana Linhares

Julio Vilela
CRENTES NA BALADA
Rodrigues (de óculos) com amigos no Brother Simion, point evangélico: beber, não, fumar, também não; beijar, sim, mas sem avançar o sinal

Eles vão a baladas, namoram, surfam e usam roupas da moda. A diferença entre os evangélicos e a maioria dos outros jovens é que suas festas são sem álcool, o namoro é sem sexo e as roupas, sem exageros – nada de saias pelos pés e cabelos pela cintura, mas decotes e comprimentos moderados. A maneira brasileira de ser evangélico ajuda a explicar os números impressionantes: 17% dos jovens entre 15 e 29 anos se identificam como seguidores de alguma das confissões evangélicas. Basta entrar em qualquer culto pentecostal para constatar a vitalidade de sua presença: praticamente a metade da igreja é sempre composta de jovens. Orgulhosos de seguir uma doutrina aparentemente tão contrária a tudo o que a juventude aprecia em nome de valores espirituais, também assumem a busca da realização material (“Nós merecemos o melhor” é uma declaração constante). Em algumas igrejas específicas, a promessa de redenção é um atrativo poderoso. “A maioria vem aqui porque tem angústias de várias naturezas, entre elas o vício em drogas. Mas uma vida desregrada e um certo desconforto com o mundo, que muitas vezes nem eles mesmos sabem explicar, também trazem muitos jovens para a igreja”, enumera Rodrigo Ribeiro Rodrigues, membro há três anos e meio da Bola de Neve Church, igreja conhecida em São Paulo pela presença absoluta de jovens. Rodrigo trabalha como assessor de imprensa da Bola de Neve – sim, a igreja tem assessor. Além dos cultos, ele freqüenta o inusitado pub gospel Brother Simion, ponto de encontro de jovens crentes em São Paulo. O Brother Simion é isso mesmo: pub, ou seja, lugar meio escurinho onde jovens se encontram, e gospel, o que quer dizer que lá não se pode fumar nem beber. “O que mais sai aqui é açaí”, diz o Brother Simion em pessoa, o dono do estabelecimento. E que fique claro aos casais: beijar, pode; avançar o sinal, não.

Fotos Lailson Santos
ORAÇÃO NA AVENIDA
Vanessa, que ora aos domingos na Paulista: “Fiz até um curso na igreja para aprender a comandar situações e falar em público”

Com o público jovem como alvo específico, as igrejas evangélicas organizam cultos e reuniões freqüentes, estimulam a integração, oferecem emprego e atividades esportivas, em ambiente de violência zero – um diferencial tremendo em locais atormentados por altíssimos índices de criminalidade. Praticamente garantem um futuro de prosperidade e um casamento estável. A quem já escorregou, asseguram a oportunidade de passar uma borracha no passado e ser acolhido como uma nova pessoa, querida pela comunidade. A maioria das religiões parte dos mesmíssimos princípios, mas as igrejas evangélicas aperfeiçoaram uma forma simples e envolvente de apregoar suas vantagens. O jovem vai, empolga-se e julga que não beber e não transar fora do casamento são requisitos razoáveis para um futuro tão promissor. “As pessoas criam esse estereótipo de que ser cristão é ser chato. Não é isso. A gente pode tudo, tem a mesma liberdade que qualquer um. Só que fazemos escolhas. E, na minha opinião, fazemos as melhores”, diz Rafael David, 21 anos, da mesma Bola de Neve. A igreja foi fundada em 2000 pelo surfista Rinaldo de Seixas Pereira, o pastor Rina, de 36 anos. Uma vez por ano, dezenas de ônibus de seguidores da Bola de Neve rumam para Florianópolis para participar de torneios de surfe e skate. Na praia, os meninos ouvem reggae com letra religiosa e as meninas usam biquínis comportados.

Os padrões da Bola de Neve são mais liberais, mas o excesso de modéstia constitui hoje exceção. “Antes éramos conhecidas como jovens velhas, por causa da saia e do cabelão comprido. Mas eu me visto como qualquer outra menina. Claro que não uso decote nem minissaia, mas adoro jeans e blusinhas de alça. O importante é estar vestida com decência. Somos reconhecidas por nossa sobriedade”, diz Janara Alves, advogada de 26 anos que freqüenta a Assembléia de Deus. Não fazer sexo com a namorada é difícil? “Ficar sem sexo dói, é um sacrifício, mas no final da minha busca eu vou ter um prêmio. O ápice da minha procura vai ser com uma pessoa que eu conheço e com quem tenho uma aliança verdadeira. Estou me guardando para o melhor”, acredita Jeferson Ricardo Silva, de 19 anos, estudante de moda e membro da igreja Sara Nossa Terra há um ano. Nessa antecipação de dias melhores, poucas coisas fazem tanto sentido quanto a valorização do progresso material. “Todas as segundas-feiras temos uma palestra na igreja chamada Congresso Empresarial. Nela aprendemos que prosperar financeiramente não é sujo. Se o casal não tem dinheiro, ele vai brigar por causa disso. O mesmo acontece na vida como um todo. Deus nos ensina a ter o melhor, a lutar para melhorar de vida”, empolga-se Nathalia Gomes, 20 anos, fiel há seis anos da Igreja Universal do Reino de Deus, que usa cabelo ruivo espetado, veste camiseta com ombro de fora e não dispensa seu par de coturnos.

À ESPERA DO PRÊMIO
Jeferson Silva, sobre o namoro sem sexo: “É um sacrifício, mas espero para ter uma aliança verdadeira. Estou me guardando para o melhor”

A maior igreja pentecostal, o nome religiosamente correto dessa vertente do protestantismo, do Brasil é a Assembléia de Deus, com cerca de 100 000 templos e 15 milhões de fiéis. Em segundo lugar vem a discreta Congregação Cristã no Brasil, que não pede dízimo, proíbe participação em instituições políticas e veta a divulgação por meios de comunicação de massa. Entre as neopentecostais, o pódio é ocupado pela conhecida Universal do Reino de Deus, com 5.146 templos e 8 milhões de membros. De igrejas como a Universal partiu a bem-sucedida flexibilização de regras; as tradicionais, meio a contragosto, aderiram. “De um lado, as igrejas mais tradicionais deixaram de reprimir o ato de ver TV, de ir à praia, de usar maquiagem, cabelo curto e roupas da moda. De outro, as pentecostais passaram a fazer de seus cultos verdadeiros shows de música e dança, proporcionando-lhes um caráter de entretenimento. Isso atraiu muitos jovens”, explica Nicanor Lopes, professor de teologia da Universidade Metodista de São Paulo.

Segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas, cerca de 30% dos fiéis das igrejas evangélicas estão nas classes C e D, em que a teologia da ascensão material encontra terreno propício. “A igreja nos ensina a ter o melhor. Aqui a gente aprende que ter prosperidade é dom de Deus. Se somos pessoas boas, nossa fé vai nos dar condições de, por exemplo, viajar, fazer cruzeiros e ficar em hotéis cinco-estrelas”, diz Daniela Soares, 32 anos, fiel da Universal há dezoito. Empresária adepta do terninho, salto alto e maquiagem, ela coordena um grupo de jovens em atividades como um desfile de vestidos de noiva em que, microfone em punho, grita: “Quem quer se casar neste ano?”. Diante do mar de mãos erguidas, arremata: “Então, vai escolhendo o vestido, que ele pode ser seu”. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) com 800 cariocas entre 15 e 24 anos, os evangélicos são os que mais se reúnem, seja em cultos, seja em outras atividades. Mais de 52% deles disseram ir duas vezes ou mais por semana à igreja. “Aqui, eu me sinto em casa. Posso ser eu mesmo. No primeiro dia em que vim à igreja, o pastor me chamou no altar, me elogiou muito e, apontando para a multidão lá embaixo, me disse: ‘Veja a nova família que você acaba de ganhar’. Eu me senti muito acolhido”, recorda Jeferson, o estudante de moda.

DINHEIRO NÃO É PECADO
Nathalia: “Na igreja aprendemos que prosperar não é sujo. Deus nos ensina a ter o melhor”

A política de acolhimento tem resultados evidentes. “Procurei uma igreja católica, mas não achei nenhuma aberta. A primeira que apareceu foi uma Renascer”, recorda Carolina Chiarlitti Bassi, 25 anos, estudante de administração e ex-dançarina de axé – “tempo de top e shortinho, drogas, noitadas”. Hoje ela dá aulas de dança na própria igreja e tem um olhar crítico em relação ao passado: “Sexo, cerveja, cigarro, a gente sabe que tudo isso é passageiro, sem compromisso, e que não vai levar a futuro algum. Fumar e beber pode causar dependência. Transando com vários não vou fazer uma família”.

O fervor dos jovens convertidos pode incomodar e causar desconforto. “Sofremos preconceito o tempo inteiro. Meus próprios amigos criticam: ‘Vai lá na igreja dar dinheiro ao pastor’”, afirma Thiago Vignoli, 24 anos, estudante de administração e fiel da Sara Nossa Terra. Como é comum em grupos de alto teor de crença religiosa, a eventual discriminação vira motivo de orgulho. “Quando você começa a ter um pouco mais de convicção naquilo que segue, ser discriminado é tudo o que você quer. Eu sempre quero ser discriminado, para ter a oportunidade de contar meu testemunho”, diz Phillip Silva Guimarães, 23 anos, gerente de contas em um banco e membro da Renascer. As igrejas também propiciam métodos para enfrentar constrangimentos. Vanessa de Almeida, 26 anos, fiel da Sara Nossa Terra, aos domingos costuma ir com amigos fazer preces em voz alta em plena Avenida Paulista. “As pessoas passam, nos vêem orando e se emocionam. É um trabalho maravilhoso. Eu e meus colegas fizemos a Escola de Vencedores, da igreja, para aprender a falar em público e agir em situações como essas.” É difícil imaginar prova maior de fé do que esse mico total, como diriam jovens menos convictos.

Dois filhos, duas histórias

Julio Vilela
REVIRAVOLTA
Maria, fiel da Universal, orgulhosa do filho Kleber, preocupada com a filha Clarice: ele voltou, ela saiu

Manter os filhos no bom caminho é um dos maiores apelos de qualquer religião. Maria Negreiros, 48 anos, cozinheira, fiel da Igreja Universal, conta como Kleber e Clarice tomaram rumos totalmente diversos na vida. A mãe faz o seu relato:

“Minha filha de 21 anos foi criada na Universal. Aos 14, resolveu largar a igreja. Ela queria conhecer o mundo, sair à noite, fazer amizades fora da igreja e namorar. Em pouco tempo, já estava saindo quase todas as noites com as amigas do bairro. Passou a beber e a fumar muito. Entre os 18 e os 20 anos, envolveu-se com gente que usava drogas. Nesse período, engravidou de um rapaz que eu nem conhecia. Durante a gravidez, ele começou a namorar outra menina. Clarice sofreu muito. Hoje, trabalha como vendedora em uma loja. Ganha até razoavelmente bem, mas gasta na noite, com bebida e sei lá mais o quê. Ela sai toda sexta-feira e todo sábado. Volta só no dia seguinte, sempre de ressaca. Sou eu que fico com o filhinho dela, de 2 anos. Também pago quase tudo. Ela não tem paciência com o menino e vive irritada com ele. Meu outro filho, Kleber, 27 anos, só me dá orgulho. Ele passou por uma enorme transformação. Até cinco anos atrás, estava no fundo do poço. Era viciado em cocaína e em maconha e chegou a traficar. Uma vez foi até preso. Passava dia e noite nos bares e nos cantos das ruas se drogando. Um dia, acordou mal, depois de fazer coisa errada a noite inteira. Pegou um ônibus e foi para a sede da Universal, em Santo Amaro. Desde então, vai quase todas as noites. Está se preparando para ser obreiro e trabalha com meninos viciados em drogas. Para ajudar em casa, é manobrista. Nunca mais tocou num copo de cerveja e não sai com meninas. Diz que está esperando aparecer a mulher certa para se casar. O sonho dele, agora, é fazer uma faculdade.”

Fonte: Revista Veja

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277 thoughts on “JOVENS EVANGÉLICOS

  1. cássio

    Olha…, se eu fosse do mundo preferia ficar por lá mesmo, porque abrir minha boca e dizer que sou crente fazendo praticamente tudo que o mundano faz… eu éin…muitas pessoas não chegam ao pleno conhecimento da verdade porque tem gente “embaçando”, enxertando heresias e falsos ensinamentos… essas pessoas precisam nascer de novo! me desculpem pela objetividade, mas não acreditem nesse “evangelho” fácil desprovido de cruz, pois o reino de Deus é tomado por esforço! no lugar de acreditarem em mentiras, deem ouvidos a palavra! ela sim é a verdade! A paz Do Senhor a todos!

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  2. cássio

    quero fazer côro aqueles que nesta página não aceitaram esse modo de viver, daqueles que se dizem “cristãos”… aqueles que abraçam isso né, lamento por vcs, mas assim fica difícil pra vcs… Jesus vem buscar uma igreja santa, separada e de boas obras! TROCANDO POR MIÚDOS (não sou e nem quero ser o dono da verdade, mas não precisa ser nenhum jesus cristo ou super mam pra saber que isso é da carne e não de Deus….) QUEM ESTÁ NESSE CAMINHO, SAIA QUE É EMBARAÇO!!! PAZ!

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  3. Jessika de moraes

    “Senhor deus estou aqui para te pedir me ajude na caminhada da vida….
    Deus tudo está, dificil pra mim cada dia que passa ta sendo pior, deus muntos me jugam, me criticam fala vc não serei nada mas so tu conhece o meu coração sabe a vontade que tenho de ti louvar te adorar, te exaltar. Pois só tu es merecedor de toda honra e toda glória… senhor tu me amas tanto que permite q eu passe por provas situações. . Dificeis em que eu penso sera que vou passar por essas provas , vou consiguir cantar o hino da vitória mais tu és minha força minha fortaleza meu socorro bem presente na hora da angústia por isso não vou temer mal algum porque tu estás comigo na batalha, creio que o senhor não daria uma prova que eu não consegueria passar por isso..
    Vou lutar vou mostrar pro mundo que tenho capididade de crescer vou mostrar a diferença muintos vão dizer nossa verdadeiramente deus e na vida dela mudou da água para o vinho ….
    Creio senhor que tu vai cumprir tua promessa em minha vida e da família que de adora te louva , te engrandece te exalta deus obrigada por me amar por me ajudar na vida te amo deus… tu es meu ar minha vida

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  4. Greicy kelly

    Cada pessoa tem um jeito de pensar, eu congregava em uma igreja liberal, e em momento algum achava errado usar maquiagem ,cortar o cabelo, usar biquíni ir a praia e etc…Mas o povo cristão tem que ser diferente e quando se convertemos não podemos continuar da mesma forma que éramos antes…e na escola mesmo eu tendo atitudes de cristã , as pessoas não notavam que eu era cristã EU TINHA QUE FALAR, porque eu era igual ao mundo usava calça igual a todo jovem, usava maquiagem igual a toda jovem mundana e a partir do momento que eu mudei , as vestes parei de usar maquiagem as pessoas enxergavam que eu era cristã não precisava falar…Claro que antes de você mudar por fora você tem que mudar por dentro, não adianta também usar uma saia ate os pés e um cabelão mas por dentro não ter jesus! mas antes eu também pensava que o que importa é só o coração da pessoa…isso é o maiiss importante mais não é só isso a vida crista ,por que devemos se entregar á cristo de Corpo e Alma e Espirito…E depois que mudei ,jesus primeiramente me batizou com o Espírito Santo depois me deu Autoridade Dons milagres , não estou aqui afirmando que só quem usar saia vai ser salva ,é apenas o que Jesus colocou em meu coração , e também não estou dizendo quem usar maquiagem não pode ser usado por Jesus ,por que ele usa quem ele quiser …Mas uma coisa eu posso dizer o caminho da salvação é estreito ,para alcançar a salvação tem que pagar o preço mas vale a pena ter a vida eterna ! É só uma opinião minha ,apenas um aconselhamento…Concordo que as igrejas liberais tem bastantes jovens ,mas que só buscam a satisfação aqui na terra não pensam na Salvação que é o fundamento da igreja, só procuram igrejas que agradam aos seus ouvidos, ou seja a igreja quem tem que mudar, não as pessoas? Mas cada um tem um objetivo, uns de satisfação aqui nessa terra …e outros da vida eterna ! mas não quero que ninguém se ofenda , isso é o que jesus colocou em meu coração ,mas si Jesus colocar em seu coração que você pode usar maquiagem alterar a cor do cabelo cortar o véu e vai ser salva amém! Siga o que Jesus te falar amados!!! paz do Senhor Jesus

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  5. joao mendes

    o bem so tras bem em dobro. e muito bom ser pra Deus de cara e coracao e tudo de bom que em nossos coracoes externar pra humanidade, Deus nos convida numa missao cega aceitamos e no fundo de nossas almas as cumprimos em Cristo Jesus.

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