O QUE ACONTECE QUANDO SE LIBERA O COMÉRCIO DA MACONHA E PROFISSIONALIZA A PROSTITUIÇÃO?

Ah! Agora eu quero ver o que os defensores da liberação do uso da maconha e da profissionalização da prostituição no Brasil dirão após verem os nefastos resultados do que vem acontecendo em Amsterdã na Holanda, o país “modelo” da tolerância e da libertinagem.

O fruto da tolerância impensada foi demonstrado pela matéria da Revista Veja, edição 2050, de 05 de março de 2008, com o sugestivo título: “Mudanças na Vitrine: Farta de ser tolerante Amsterdã troca bordéis em bairro degradados por lojas e ateliês de arte”. (Leia matéria completa no final do post).

Sobre a questão da liberação da maconha no Brasil o debate já havia sido suscitado nesse blog por ocasião do primeiro post sobre o assunto. O tema rendeu. Naquela oportunidade alguns dos defensores de tal atitude argumentaram dizendo que a liberação do comércio da droga acabaria com o tráfico e, via de consequencia, com a morte, afinal, como disse um dos comentaristas já que se fosse liberado não se necessitaria ir atrás da cannabis em um lugar perigoso como favela.

Bobeira. Tremenda Bobeira!

Os holandeses viram na prática que esse pensamento é completamente equívocado. Com a liberação do comércio de drogas Amsterdã atraiu “os turistas de entorpecentes” dispostos a consumir de tudo, não apenas maconha. Isso fez proliferar o narcotráfico nas ruas do bairro boêmio. O preço da cocaína, da heroína e do ecstasy na capital holandesa está entre os mais baixos da Europa.

O direito de plena liberdade é outro argumento que os defensores da liberação da maconha tentam fazer prevaceler a todo custo. Outra falácia. Um dos grandes erros daqueles que supervalorizam a liberdade individual é esquecerem-se de tal direito não pode suplantar o direito de vida em sociedade. O direito à liberdade deve ser considerado e analisado sob os meandros da vida em comunidade.

A afirmação de que a liberação da venda de maconha seria um Dos meios de acabar com o contrabando é um absurdo, posto que a maconha é considerada como uma droga trampolim, ou seja, após o uso da maconha o viciado sente a necessidade de “progredir” para “viagens mais alucinantes”. Chegando-se o momento em que ele terá que adquirir e usar drogas como cocaína, heroína e outros narcóticos pesados.

Ora, As drogas atuam no cérebro afetando a atividade mental, sendo por essa razão denominadas psicoativas. Ela diminuem a atividade mental, diminuem a atenção, a concentração, a tensão emocional e a capacidade intelectual e, ainda, alteram a percepção.

A despeito da profissionalização da prostituição, idéia esta defendida pelo Dep. Fernando Gabeira, Amsterdã também viu o grande erro que eles cometeram. A região do De Wallen afundou num tal processo de degradação e criminalidade que o governo municipal tomou a decisão de colocar um basta. Como relata a matéria “Nos últimos vinte anos, a gerência dos prostíbulos saiu das mãos de velhas cafetinas holandesas para as de obscuras figuras do Leste Europeu, envolvidas em lavagem de dinheiro e tráfico de mulheres. Boa parte dos problemas é conseqüência do excesso de liberalidade. O objetivo da legalização da prostituição foi dar maior segurança às mulheres. Como efeito colateral houve a explosão no número de bordéis e o aumento na demanda por prostitutas. Elas passaram a ser trazidas – nem sempre voluntariamente – das regiões mais pobres, como a África, a América Latina e o Leste Europeu.”

Em dados, Amsterdã tem 14 prostitutas para 14 mil habitantes, quatro vezes mais que Paris. O tráfico de mulheres aumentou 260% nos primeiros três anos de legalização de bordéis. A prisão por posse ou comércio de cocaína, heróina e ecstasy (drogas proibidas na Holanda) cresceram 21% entre 2002 e 2006. 67% da população é a favor de medidas para restringir a prostituição.

É isso o que acontece quando se tenta legitimar atos contrários à moral e à Palavra de Deus. Os efeitos colaterias são certos. Legalização da prostituição traz consigo o aumento da criminalidade e o tráfico de mulheres. Liberação da maconha tem como resultado o aumento do tráfico de entorpecentes mais pesados e criação de um polo de “turistas das drogas”.

Não existe outra fórmula, o mal somente é vencido pelo bem.

“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”. — Paulo. (Romanos, 12, 21).

Bom seria se os nossos políticos colocassem esse versículo em prática.

Valmir Milomem

Mudanças na Vitrine

Farta de ser tolerante, Amsterdã troca bordéis
em bairro degradado por lojas e ateliês de arte


Thomaz Favaro

A Holanda é um dos países mais liberais da Europa. Comportamentos considerados tabu em muitos países, como eutanásia, casamento gay, aborto e prostituição, são legalmente aceitos pelos holandeses. Em Amsterdã, turistas podem comprar pequenas quantidades de maconha em bares especiais, os coffee shops, e escolher abertamente prostitutas expostas em vitrines, uma tradição da cidade. No passado, De Wallen, o bairro da Luz Vermelha, como é chamado nos guias turísticos, foi relativamente tranqüilo e apinhado de curiosos. Desde que a prostituição foi legalizada, sete anos atrás, tudo mudou. Os restaurantes elegantes e o comércio de luxo que havia nas proximidades foram substituídos por hotéis e bares baratos.
A região do De Wallen afundou num tal processo de degradação e criminalidade que o governo municipal tomou a decisão de colocar um basta. Desde o início deste ano, as licenças de alguns dos bordéis mais famosos da cidade foram revogadas. Os coffee shops já não podem vender bebidas alcoólicas nem cogumelos alucinógenos, e uma lei que tramita no Parlamento pretende proibi-los de funcionar a menos de 200 metros das escolas. Ao custo de 25 milhões de euros, o governo municipal comprou os imóveis que abrigavam dezoito prostíbulos. Os prédios foram reformados e as vitrines agora acolhem galerias de arte, ateliês de design e lojas de artigos de luxo. A prefeitura está investindo na remodelação do bairro, para atrair turistas mais ricos e bem-comportados.

De Wallen é um centro de bordéis desde o século XVII, quando a Holanda era uma potência naval e Amsterdã importava cortesãs da França e da Bélgica. Nos últimos vinte anos, a gerência dos prostíbulos saiu das mãos de velhas cafetinas holandesas para as de obscuras figuras do Leste Europeu, envolvidas em lavagem de dinheiro e tráfico de mulheres. Boa parte dos problemas é conseqüência do excesso de liberalidade. O objetivo da legalização da prostituição foi dar maior segurança às mulheres. Como efeito colateral houve a explosão no número de bordéis e o aumento na demanda por prostitutas. Elas passaram a ser trazidas – nem sempre voluntariamente – das regiões mais pobres, como a África, a América Latina e o Leste Europeu. A tolerância em relação à maconha, iniciada nos anos 70, criou dois paradoxos. O primeiro decorre do fato de que os bares podem vender até 5 gramas de maconha por consumidor, mas o plantio e a importação da droga continuam proibidos. Ou seja, foi um incentivo ao narcotráfico.

O objetivo da descriminalização da maconha era diminuir o consumo de drogas pesadas. Supunham os holandeses que a compra aberta tornaria desnecessário recorrer ao traficante, que em geral acaba por oferecer outras drogas. Deu certo em parte. Apenas três em cada 1.000 holandeses fazem uso de drogas pesadas, menos da metade da média da Inglaterra, da Itália e da Dinamarca. O problema é que Amsterdã, com seus coffee shops, atrai “turistas da droga” dispostos a consumir de tudo, não apenas maconha. Isso fez proliferar o narcotráfico nas ruas do bairro boêmio. O preço da cocaína, da heroína e do ecstasy na capital holandesa está entre os mais baixos da Europa. “Hoje, a população está descontente com essas medidas liberais, pois elas criaram uma expectativa ingênua de que a legalização manteria os grupos criminosos longe dessas atividades”, disse a VEJA o criminologista holandês Dirk Korf, da Universidade de Amsterdã.

A experiência holandesa não é a única na Europa. Zurique, na Suíça, também precisou dar marcha a ré na tolerância com as drogas e a prostituição. O bairro de Langstrasse, onde as autoridades toleravam bordéis e o uso aberto de drogas, tornara-se território sob controle do crime organizado. A prefeitura coibiu o uso público de drogas, impôs regras mais rígidas à prostituição e comprou os prédios dos prostíbulos, transformando-os em imóveis residenciais para estudantes. A reforma atraiu cinemas e bares da moda para o bairro. Em Copenhague, na Dinamarca, as autoridades fecharam o cerco ao Christiania, o bairro ocupado por uma comunidade alternativa desde 1971. A venda de maconha era feita em feiras ao ar livre e tolerada pelos moradores e autoridades, até que, em 2003, a polícia passou a reprimir o tráfico de drogas no bairro. Em todas essas cidades, a tolerância em relação às drogas e ao crime organizado perdeu a aura de modernidade.

Fonte: Revista Veja