A defesa da fé cristã na era pós-moderna


Por: Valmir Nascimento

Em todos os períodos da história humana o cristianismo tem sido atacado. Do tempo dos apóstolos, passando pelo iluminismo até chegarmos aos dias atuais o pensamento cristão têm sido posto à prova e refutado pelos diversos tipos de culturas/pensamentos que se opõem ao evangelho.

Freqüentemente os cristãos, inclusive os evangélicos, são – convidados – a darem razões acerca da sua fé. Compungidos a argumentarem sobre a evidência de Deus, de Cristo e das sagradas escrituras. Desafiados a defenderem a razão da esperança que têm nas promessas bíblicas.

A essa defesa denominamos – apologia -, que do grego significa “resposta” ou “discurso de justificação”. Constitui um conjunto de respostas razoáveis às perguntas efetuadas sobre Deus, Jesus e o pensamento cristão. A apologia, tipicamente, é uma resposta a uma pergunta ou desafio.

Nos tempos de Paulo teve ele que tirar os obstáculos da cruz de Cristo do pensamento dos judeus. No segundo século, os cristãos tiveram que defender não só as doutrinas cristãs, mas também os próprios cristãos das acusações do ateísmo e do agnosticismo. Depois, tiveram que defender a fé dos ataques dos desafios do islamismo. Na era da iluminação e por muitas décadas depois, defenderam a fé dos ataques do racionalismo e cientificismo. Hoje, o desafio maior é defender a afirmação que existe um conhecimento certo da verdade absoluta e que tal verdade se encontra na Escrituras Sagradas. Assim como nossos antepassados temos sido chamados para darmos respostas racionais e certas pela esperança que temos em Cristo. Nos compete lidar com assuntos contemporâneos por mais que sejam difíceis e incômodos para nós.

O texto áureo da defesa da fé cristã encontra-se em I Pedro 3:15: “Antes santificai a Cristo em vossos corações, e estejais sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”.

Pedro, nessa passagem, dá-nos as bases da defesa da apologia cristã. Em relação à pessoa de Cristo é necessário “santificá-lo em nossos corações”; em relação a nós mesmos: “estarmos preparados”; e em relação aos nossos oponentes: “responder com mansidão e temor”.

Finalidade da defesa da fé

Não é objetivo da apologia tão somente ganhar debates/discussões no âmbito filosófico, científico ou teológico; antes pretende cumprir o Ide do Senhor Jesus, de forma a pregar o evangelho a toda a criatura, que no caso em questão será corroborado por um estudo minucioso da Palavra de Deus e das doutrinas cristãs, para destruir todas as cosmovisões que sejam antagônicas ao cristianismo.

Charles Colson afirma que “debater pode ser algumas vezes desagradável, mas pelo menos pressupõe que há verdades dignas de serem defendidas, idéias dignas de se lutar por elas. Em nossa era pós-moderna, todavia, as suas ‘verdades’ são as suas ‘verdades’, as minhas ‘verdades’ são as minhas, e nenhuma é significativa o suficiente para alguém se apaixonar por ela. E se não há verdade, então não podemos persuadir um ao outro através de argumentos racionais. Tudo o que resta é puro poder”.

E esse poder mencionado por Colson não é outro senão aquele mencionado por Moody: “Se quisermos trabalhar… tendo em vista um propósito definido, precisamos ter o poder do alto. Sem esse poder, nossos esforços não passarão de mero e enfadonho trabalho. Com esse poder, nossa labuta se transformará numa tarefa alegre, num serviço agradável.”

Para Moody, “a proclamação do evangelho não pode estar divorciada do Espírito Santo. A menos que Ele dê poder à palavra, infrutíferas serão nossas tentativas em pregá-la. A eloqüência humana – ou a persuasão da linguagem – não passam de mera aparência exterior de um morto, se o Espírito vivo não estiver presente. O profeta pode pregar aos ossos no vale, mas tem de haver o sopro do céu para que tornem a viver.”

Quem deve utilizar a apologia

Embora muitos cristãos pensem que a apologética seja de uso estrito aos pastores e intelectuais, ela deve ser utilizada por todo cristão consciente. Hank Hanegraaf assevera que “a responsabilidade pela apologética não é limitada aos pastores cristãos ou aos intelectuais. Quando desafio pessoas a aprenderem a defesa da fé é pensar como cristãos”, freqüentemente respondem: “Oh, eu não estou pronto para isso”, ou: “É muito profundo para mim”. Mas Deus criou cada um de nós com uma mente, com a capacidade de estudar, pensar e fazer perguntas. Ninguém é expert em toda as áreas, mas cada um de nós pode dominar os assuntos nos quais tem alguma experiência.”

Hanegraaf também argumenta que “um número demasiadamente grande de pessoas acredita que a apologética é do domínio exclusivo dos eruditos e teólogos. Não é verdade ! A defesa da fé não é algo opcional; é um treinamento básico par todo crente.”

Pós-modernismo

A importância da apologia da fé cristã é percebida na medida em que observa a sociedade pós-moderna em que estamos inseridos. Sendo ela caracterizada por um pensamento secular e materialista, o qual exclui Deus da vida cotidiana e o relega à mitologia.

O inicio do século XXI têm sido caracterizado por movimentos filosófico-teológicos que romperam com tudo o que, historicamente, tem sido crido como verdade fundamental, da qual não se poderia abrir mão. Esses movimentos têm tomado vários nomes como: secularismo, relativismo, pós-modernismo e pluralismo.

Para os pluralistas não existe a verdade absoluta, nem existe uma religião verdadeira. Os pós-modernistas rejeitam não somente as leis objetivas de moral, como as leis morais interiores gravadas por Deus em nossos corações. Fé e sexualidade tornarem-se questão de gosto e não de verdade. A Ética é regida pelo querer predominante da sociedade. O aborto tornou-se não somente legal em muitos países, como também uma prática aceitável, como um direito constitucional que a mulher tem sobre o seu corpo.

Nesse contexto, cumpre a cada cristão levantar a bandeira do evangelho e defender as verdades bíblicas. Precisando, para tanto, reporta-se de um estudo sólido da Palavra de Deus bem como se atentar para as novas ideologias que sãos criadas, afim de batalhar pela fé que uma vez foi dadas aos santos.

Todos os direitos reservados. Proibida a reproduç?o total ou parcial deste texto sem a citaç?o da fonte. www.valmirnascimento.com

Área de comentários

opiniões

7 thoughts on “A defesa da fé cristã na era pós-moderna

  1. Elizeu Rodrigues dos Santos

    Meu amigo e irmão em Cristo, pb Samuel, ligado ao ICP e CACP, frequêntemente palestra em questões apologéticas em nossas congregações. Disse pra ele um dia: Podemos divergir em muita coisa, Samuel, pois eu não gosto de apologia. Só não podemos divergir no Evangelho de Jesus. Sempre peço aos amigos de ministério que me mostrem que estou errado, usando alguma palavra de Jesus para tal.
    Como nunca me citaram algum verso, um dia mostrei uma coisa pra eles. Disse que a tua apologia vai até onde começa a fé de alguém. Perguntaram, como? Falei que em Mt 10 Jesus separa os 12. Ordena que eles não vão às terras das gentes (gentios), nem em terras de samaritanos, mas… as ovelhas perdidas da casa de Israel. Aí comentei que Pedro se orgulhou muito disso, pois era israelita puro.
    Entretanto, lá no cap 15, eles estão de passagem pelas terras de Tiro e Sidom. Aparece então uma mulher problemática e necessitade de ajuda, contudo, Jesus nem olha pra ela. Comentei que deve ter acontecido algum debate entre Pedro, o líder, e João, a apótolo do amor. “Só pra nós”, se gabava Pedro. João falava: “Não Pedro, pois Ele é amor puro, não pode desprezá-la”. Pedro deve ter falado a João que : “vou falar com Ele, e você verá que só pra nós, filhos de Abraão”.
    Jesus responde então a todos os 12, e o povo em volta: “Já não disse a vocês que fui enviado somente as ovelhas perdidas da casa de Israel?”. Pedro deve ter ido a João e dito: “Não te falei, é só pra nós. Por tua causa, temos que ouvir isto do Mestre!”. Quando vão despedí-la, ela passa rapidamente por eles e se joga aos pés de Jesus, adorando-o, e pede socorro. Jesus então alegra mais o coração de Pedro, dizendo que “não posso tirar o pão da mesa, que é para dar aos filhos, e deitá-lo aos cachorrinhos”. Pedro deve ter batido a mão no ombro de João, pra consolá-lo, mostrando que ele tem que entender as verdades sobre Jesus, sem questionar.
    Penso que João, que é conhecido como o apóstolo do amor, fica naquela dúvida cruel: “E agora, o que será da mulher, pois Ele realmente disse que os gentios não terão direito em seu Reino”. As mesmas dúvidas que, acho que João teve neste fato, eu sempre tenho hoje.
    Só que nem Pedro, muito menos João, contavam com um ingrediente que a mulher teve, e que é aquilo que Deus sempre esperou ver em Israel: FÉ (Hc 2.4). Ela se nega, toma a posição de cachorrinho, e reconhece pra Jesus não valer nada. Diz: “Sim, Senhor, mas na minha casa, eu alimento os cachorrinhos. E quando não há comida suficiente, eles se contentam somente com as migalhas de pão que caem da minha mesa”. Que coisa, está é a fé que Deus sempre esperou ver nos israelitas, porém estavam inchados no seu entendimento. Jesus deve ter olhado para os 12, depois olhado pra mulher siro-fenícia, e dito, com prazer em seus lábios: “Grande é a tua fé, mulher. Você é corajosa. Você é valente. Você luta pela vida do seu próximo. Você não busca algo pra você, mas para tua filha. Então vai, seja feito conforme tu desejas, conforme o peso de tua fé”.
    Os 12 saem dali sem entender nada do que aconteceu, porém, após a ressurreição de Jesus, eles entenderão.

    Por isso, isto que escrevi ano passado, tentando entender o que é apologia pra nós hoje, aprendi buscando com Jesus nos evangelhos, que se pra mim é errado, é por causa de minha pouca fé. Se pra você é heresia, sua fé está no primeiro degrau da excelência cristã. Assim você nã chegará a estatura de varão perfeito.
    Deus abençoe vocês, meus amados irmãos em Jesus Cristo. Que possamos viver o Hebreus 6.1-3, sem a necessidade de exegese, pois os católicos têm exegese, e estão fora do caminho estreito.

    Paz do Senhor Jesus Cristo

    Reply
  2. Editor do Blog

    Elizeu,

    Apologia é um discurso de defesa da fé, tanto no que diz respeito aos fundamentos da Palavra de Deus, quando levantam-se heresias dentro do ambiente cristão, tanto contra os antiteístas que não acreditam nas verdades bíblicas.

    Nesse sentido, a defesa da fé cristã é algo salutar, de forma a não permitir que lobos devoradores façam estragos dentro da Igreja, bem como para levar alguns a conhecer Jesus Cristo.

    No caso, vejo que vc é um apologista do primeiro grupo, mas mesmo assim não gosta de defesa da fé? Explique-me melhor:

    na paz

    Valmir

    Reply
  3. Elizeu Rodrigues dos Santos

    Fui à igreja, acabei de chegar. Compreenda que não sou contra toda e qualquer forma de colocação, exposição, afirmação, retificação ou ratificação. O que não compreendo, e sempre peço aos meus companheiros no ministério, é que me mostrem Jesus fazendo isso. Ou algum apóstolo, pois Paulo escreve que já havia falado uma, duas vezes, e não continuou contendo, mas prosseguiu em seu ministério. Escreve também que, ao herege, depois de uma ou outra admoestação, evita-o. Como evitar algo se estamos continuamente debluçado sobre os livros, lendo os sites e blogs, estudando para palestrar? É a minha luta interior para entender o que o Senhor quer comigo, após me trazer de volta à vida, e revirar o meu entendimento com tudo que já havia aprendido em todos os cursos teológicos, desde os 17 aonos. O que me alegra sempre, é formular perguntas de caráter doutrinário, e ninguém conseguir me responder de forma simples, objetiva e direta, como Jesus fazia com seus 12 apóstolos: “Até vocês não entenderam?”, Ele perguntava, porém respondia de forma simples.
    Fiz uma pergunta ao ICP, e a resposta foi: “Não temos uma resposta pormenorizada a dar ao irmão, mas encontramos no novo dicionário…
    Entenda que cresci na igreja, frequento a EBD 13 domingos por trimestre. Dou aulas, coopero de várias formas. Meu pai é pastor, e muitas das vezes não concorda com o que eu penso hoje. Mas sempre termina: Você está certo, filho, você está certo. Jesus é o meu Mestre, e como falei ao meu amigo do centro apologético de minha cidade, me libertei do meu Gamalieu. Estou nos três anos da Arábia, como Paulo. Entrem no meu e-mail, ou no messenger (yahoo), pois estou ligado aos finais de semana, e durante a madrugada, pois meu acesso é discado.

    Que Deus abençoe vc, querido irmão Valmir
    Seja corajoso, audacioso, contudo dependente dEle.
    A graça seja com todos vós
    diacers@yahoo.com.br

    Elizeu

    Reply
  4. Mauro Márcio

    Valmir, Paz do Senhor … !
    Vim parar aqui em seu site, pesquisando coisas sobre apologética. Que benção meu amigo (!), Deus te abençôe !!

    PS: Vejo no site alguns livros recomendados…
    Tenho aqui em casa alguns outros, vc aceitaria sugestão ??

    Reply
  5. Editor do Blog

    Olá Mauro,

    Obrigado pela visita.

    Fique a vontade para indicar os livros, ok.

    Na paz

    Valmir

    Ps. De onde vc é?

    Reply
  6. valdenir lima firmino

    o que é a santa ceia e como devemos celbra-la?

    Reply
  7. carmen caldeira

    Por favor, gostaria que se fosse possivel me mandassem algum material explicativo sobre espiritismo, pois tenho um amigo muito envolvido com essa coisa e gostaria de ter mais argumentos par poder combater as lezeiras que ele está aprendendo! Obrigada, carmen

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *