Quebrando o mito de que as faculdades são responsáveis pelo desvio dos jovens cristãos
por Valmir Nascimento Milomem
No ano passado, o Grupo Barna divulgou uma interessante pesquisa sobre os cinco mitos e realidades que levam os jovens a se afastarem das igrejas cristãs.
Os mitos apontados pela pesquisa foram os seguintes: #mito 1: A maioria dos jovens perdem a fé quando deixam o ensino médio; #mito 2: Deixar a igreja é apenas uma parte natural da maturação dos jovens adultos; #mito 3: Experiências da faculdade são o fator-chave que levam as pessoas a desistirem; #mito 4: A atual geração de jovens cristãos é mais “biblicamente analfabeta; #mito 5: Os jovens irão voltar para a igreja como sempre fazem.
Por ora, gostaria de chamar a sua atenção para o #mito 3.
A realidade apontada pela pesquisa é que, embora a faculdade tenha uma grande influência na vida dos cristãos, ela não é necessariamente o motivo principal do abandono da fé, como muitos supõem. Como prova, o relatório enfatiza que muitos cristãos abandonam a fé bem antes de chegarem à faculdade, alguns inclusive antes dos dezesseis anos de idade.
Sobre este ponto, David Kinnaman, responsável pela pesquisa, diz que o problema decorre da inadequação da preparação de jovens cristãos para a vida além do grupo de jovens. Kinnaman observou que os resultados da investigação mostram que “apenas uma pequena minoria de jovens cristãos tem sido ensinada a pensar sobre questões de fé, vocação e cultura. Menos de um em cada cinco têm alguma ideia de como a Bíblia deve informar os seus interesses escolares e profissionais. E a maioria não dispõe de mentores adultos ou amizades significativas com os cristãos mais velhos, que possam guiá-los a responder perguntas que surgem durante o curso de seus estudos. Em outras palavras, o ambiente universitário não costuma causar a desconexão; apenas expõe o problema da fé-rasa de muitos jovens”.
Como se vê, a pesquisa ajuda a quebrar o velho mito de que um dos grandes fatores responsáveis pelo desvio de muitos jovens cristãos é a universidade. Ficou claro que o problema é anterior ao ingresso ao ambiente acadêmico, em decorrência da falta de preparo por parte dos jovens, tanto para conseguir responder com firmeza aos questionamentos dos fundamentos da fé, ou para fazer uma conexão entre a fé, a cultura atual e os interesses profissionais.
Esta deficiência dos jovens é ocasionada em grande pela inércia das igrejas, que quase nunca oferecem instruções e orientações básicas sobre apologética, cosmovisão cristã e vida profissional aos seus membros. Tanto é assim que outra pesquisa realizada pelo Grupo Barna revelou esta lacuna. Na realidade dos Estados Unidos, apenas 38% dos pastores de jovens e 36% dos pastores titulares afirmaram discutir frequentemente os planos de faculdade com os jovens. No Brasil, acredito eu, este percentual é muito menor.
Será que não está na hora de nossos líderes estabelecerem um diálogo mais efetivo sobre estes temas com a mocidade, oferecendo instruções para que possam responder aos questionamentos da fé, com cursos específicos sobre apologética; ensinamentos que façam a conexão entre o mundo atual e a cosmovisão cristã e ofereçam conselhos sobre a vida universitária e a carreira profissional?
Não é possível que mesmo sabendo dos “bombardeios ideológicos” que os jovens cristãos recebem dentro dos centros acadêmicos, grande parte da liderança se mantenha indiferente, como se nada estivesse acontecendo.
Diante disso, é preciso estabelecer urgentemente um diálogo franco com os jovens, ajudando-os a encarar os embates e dilemas do mundo atual, e a discernir o chamado de Deus em suas vidas, por meio de uma mensagem contextualizada do evangelho, que demonstre a relevância da mensagem bíblica para a sociedade atual.
Caso isso não ocorra, continuaremos a perder nossa juventude, infelizmente!


Salma Moraes de Machado
05/02/2013 at 08:10Concordo com você, Valmir. Devo alertá-lo no entanto, que será impossível este diálogo (liderança-jovens), neste momento de mudança cultural. Nosso histórico, infelizmente, é de líderes que não tiveram acesso ao ambiente acadêmico e que, portanto, não se prepararam para passar adiante as experiências que teriam adquirido no referido ambiente, caso o tivessem frequentado. Cabe a nós, daqui para frente passarmos nossas experiências aos nossos filhos, já que estamos passando por um momento de transição. Lembrando que a cobrança é pertinente, mas não estamos simplesmente perdendo nossos jovens. Na verdade, nunca os tivemos. Se tivéssemos feito como as mulheres hebreias, que quando as parteiras egípcias chegavam elas já "tinham ganhado" seus filhos, a história seria diferente, com certeza.
Valmir Nascimento
05/02/2013 at 12:13Olá Salma, Obrigado pela sua participação. De fato, o diálogo pastor-jovem neste momento cultural em que estamos vivendo não é muito fácil, porém, acredito que não seja impossível. Há alguns exemplos interessantes de lideranças que têm conseguido "conectar" a mensagem bíblica com a realidade dos jovens, tornando o evangelho aplicável ao seu dia-a-dia. O grande dilema dos jovens e adolescentes da atualidade é exatamente conseguir fazer essa conexão entre o "mundo teórico" das Escrituras com o mundo real em que vivem. Para resolver esse problemas, a liderança precisa se atentar para esse fato e conhecer como vivem e pensam esses jovens. Daí, será possível alicerçar a fé que professam com instruções de apologética prática. Precisamos, como diria Schaeffer, construir pontes para que o evangelho seja anunciado. Abraço
Rafael
05/02/2013 at 12:45Bem interessante saber disso, muitos temem que as teorias que os alunos aprendem na faculdade fazem com que eles se desviem, mas a verdade é que os que se desviam já fizeram isso antes e quanto às teorias que estudantes cristãos aprendem (de todos os lados do espectro político-social, sem exceções), eles dão um jeito de adaptar à fé. Pelo menos observo isso. Mas é realmente algo que as lideranças devem se preocupar, o pastor da minha igreja sempre dá aconselhamento aos jovens que estão prestes a entrar na faculdade.
Pingback: » 5 mitos que levam os jovens a se afastarem das igrejas MUNIL
pastor Ornelas
03/04/2013 at 12:00Nobre Valmir, Paz e Graça! Temos que observar tais pesquisas com certo discernimento, principalmente levando-se em conta a pressão mental e espiritual impetrada contra os jovens quando muitos professores e universidades tomam conhecimento de que os mesmos se identificam como cristãos.Posso falar isso com muita propriedade porque anos atrás e até hoje frequento o ambiente universitário, já lecionei em ginásios de Ensino Médio e sei o quanto é proposital as investidas contra a fé cristã e seus adeptos.Hoje, como ministro do Evangelho, focado na área de Aconselhamento de Casais e Famílias, procuro despertar os pais á ensinar os fundamentos da Fé Cristã a seus filhos ainda bem cedo, no sentido de firmá-los na convicção da fé que um dia também receberam.São muitas as teorias ensinadas nas universidades, tais como a Teoria do Relativismo, a Teoria Evolucionista etc. as quais não são colocadas para serem apenas apreciadas, e sim para serem aceitas, tendo em vista que a Bíblia não é tida com Revelação de Deus e sobre os valores do Cristianismo pouca importância lhe são dadas. Por outro lado encontramos muitos professores dentro das universidades totalmente comprometidos com causas escusas e perniciosas a vida humana, onde defendem abertamente a extinção daquilo que é moral, ético etc, pois pretendem instalar uma Nova Ordem como a solução para todas as coisas.A muitos destes tive o privilégio de falar do amor de Jesus Cristo, da Salvação e lhes explicar detalhadamente sobre a natureza e consequências do pecado.Ganhei muitos para Cristo e hoje nos agradece por ter despertado-os no tempo certo.Graças ao Pai Celestial já temos hoje pessoas que desenvolvem belo trabalho evangelístico na Faculdades e Universidades. Esse trabalho começou depois da igreja detectar rumos obscuros que muitos jovens estavam e estariam descambando.Nós nos preocupamos com isso.Muitos intelectuais acham que ser cristão, diga-se de passagem, ser evangélico é cafonice.Como é que as redes de televisão nos vê? Como foi que sempre nos tratou?Simplesmente pelo fato de se sentirem superiores aos evangélicos. Parabéns pelo site, e fiquem na paz! Rev. Renilson Ornelas Seriedade no Oficio de Pastorear Recomendo:www.pastorfamilia.blogspot.com ou, Restaurando sua Família e o seu Casamento