Careta sim, maluco não!
por José Carlos Carvalho
Em meu artigo anterior, na semana passada, posicionei-me, neste mesmo espaço, contra a decisão do STF que considerou legal a marcha pela descriminalização da maconha.
Deixei claro que não entendia, como continuo não entendendo, como a marcha seria realizada sem que seus idealizadores não fizessem apologia ao crime.
Não estava sozinho. Naquela mesma edição este veículo divulgou uma pesquisa onde 79% dos pesquisados não concordaram com a decisão da mais alta corte do Judiciário brasileiro.
Também uma revista semanal, de grande circulação no país, trouxe estampada em sua capa uma matéria intitulada “As prisioneiras do crack”, e na carta ao leitor a referida revista deixa claro, também, não concordar com a liberação da referida marcha.
Assusta-me o argumento de algumas pessoas, completamente desconectadas do assunto, e, mais do que isso, da realidade brasileira, quando afirmam que a maconha é uma droga inofensiva. Droga é droga, e ponto.
Existe uma pesquisa, de especialistas no assunto, assegurando que em torno de 70% dos usuários de droga começaram pela maconha, logo, esta história de inofensiva é uma grande balela. Que ela não possui o mesmo potencial ofensivo das demais drogas isto é latente, contudo, não se pode esconder que tudo, ou quase tudo, começou com ela.
Passa pela cabeça de alguém que os usuários de droga, em nossas periferias, começaram usando as mais caras? Cocaína sempre foi coisa de gente grã-fina e mesmo elas tiveram um estágio inicial com a maconha que, ao que tudo indica, não correspondeu com suas expectativas.
Os usuários, adeptos, ou libertários, chame-os do que quiser, para relativizarem os malefícios da maconha, usam, também, o argumento de que o álcool é muito mais nocivo e, no entanto, é legalizado.
Agiram bem os civilistas quando, ao elaborarem o Código Civil atual, fizeram constar, de forma inédita, que os “ébrios habituais e os viciados em tóxicos” são relativamente incapazes, na dicção do art. 4º, II, do referido Diploma Legal. Importante realçar que a expressão “viciados em tóxicos” encontra-se posta de forma genérica.
Quem não se assusta com a existência da cracolândia em uma área central, na maior metrópole do país?
Será que naquela boate do complexo Daslu, na mesma São Paulo, rolava apenas uso de álcool?
E o que esperar do futuro de alguns cortadores de cana, pasmem, do interior de São Paulo, que estão usando o óxi como forma de suportarem, turbinados, suas escravizantes jornadas de trabalho?
Ao redigir este último parágrafo, recebo a informação do relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas dando conta que o Brasil consome um terço da maconha e da cocaína produzidas na Bolívia. E que, hoje, somos o maior distribuidor destas duas drogas para a Europa e para a África.
E aí, dá pra ficar nesta discussão idiota sobre quem é mais nociva?
Podem me chamar de careta, porque de maluco (nos dois sentidos), eu não tenho nada.
JOSÉ CARLOS CARVALHO é advogado e professor em Cuiabá
(MídiaNews)



Duda
24/10/2011 at 11:08"Droga é droga, e ponto". Comentário altamente informativo e esclarecedor. Como sempre, pérolas de sabedoria do senso comum... Obrigado mais uma vez Editor pela luminescência de vosso intelecto!
Duda
24/10/2011 at 11:13Olá! "Existe uma pesquisa, de especialistas no assunto, assegurando que em torno de 70% dos usuários de droga começaram pela maconha". Vejo que sua argumentação é rigorosamente científica, mas quem são os tais especialistas e onde posso encontrar essa pesquisa? Abraço!