Filhos de ateus: procurando a fé fora de casa

Uma matéria interessante publicada pelo Correio do Estado aborda o fato de filhos de ateus buscarem a fé fora de casa. O texto ressalta que as novas gerações de céticos, agnósticos e ateus não casam na igreja, não batizam seus filhos, nem têm religião ou falam de fé. Eles simplesmente desconsideram a existência de Deus. Contudo, isso não impede que, em alguns casos, seus filhos sintam a necessidade e até cobrem uma discussão sobre fé e religião.
A matéria relata ainda que de acordo com Eduardo Rodrigues da Cruz, professor do Programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de São Paulo, os psicólogos cognitivos tem estudado o assunto com crianças de várias faixas etárias. “Suas conclusões: todos somos naturalmente teístas, e, à medida que crescemos, vamos diversificando nossas posturas”, afirma o doutor em teologia, que também é mestre em física. Ou seja, para ele, a fé é uma postura “natural”, que é racionalizada conforme amadurecemos
Entre casos citados pelo site está o de Jaqueline Slongo, de 23 anos. “Depois de um tempo separados, ela voltou a viver na cidade natal de Curitiba com o pai ateu. Ironicamente, por conta de uma bolsa de estudos, a então adolescente foi estudar em um colégio católico. O retorno à cidade grande, onde as desigualdades sociais são mais gritantes, o descobrimento da Bíblia e a fase de mudanças, levantaram muitos questionamentos. “Comecei a me questionar sobre a existência de Deus, fazia perguntas para as freiras do colégio, mas as respostas não me saciavam”, lembra.”
A matéria prossegue registrando que Jaqueline começou a achar que havia alguma coisa errada entre o que lia e o que pregavam suas ‘instrutoras espirituais’. “Elas me mandavam rezar, mas eu não curtia”, confessa. Seu pai viajava muito e, como não acreditava em Deus, a filha preferia não falar sobre o assunto com ele. O processo foi sofrido, e aconteceu em meio às transformações da adolescência, à ausência dos pais, e à angústia causada por sintomas de depressão. “Eu era muito agressiva, rebelde, intolerante. Não tinha amigos e sempre me isolava”, conta.
Ela então buscou alívio e conforto na religião. Hoje, a estudante se considera protestante, mas passou por diversas comunidades cristãs diferentes. Diz que não se importa com rótulos, mas sente que é preciso estar em grupo. “Acho importante a vivência em comunidade, pois é no relacionamento com outros que seu caráter se constrói”, afirma.
Com o pai, ficou cinco anos sem poder comentar nada sobre sua fé. Até que, há três meses, consciente da mudança espiritual da filha, ele lhe pediu que comentasse, ‘de forma sucinta’, no que exatamente ela acreditava. A partir de então, ela diz, ele tem pedido que também reze por ele.
Então, caros leitores, embora os ateístas insistam em dizer que muitas pessoas somente são religiosas em razão da influência exercída da família, o fato é que todo ser humano possui um anseio interno por Deus, até os filhos de ateus. Isso porque, a alma do ser humano clama por salvação, por respostas para suas inquietações. Assim, embora tenha nascido em família atéia, cética ou seja lá o que for, no fundo no fundo há um grito espiritual pelo seu Criador, afinal, todos temos a impressão digital Dele. Nossa alma anseia por Ele (Sl. 42.1).
por Valmir Nascimento
A constatação do Professor Dr Eduardo Cruz de que “a fé é uma postura “natural”" é bem antiga e óbvia. Porém retumbantemente desconsiderada pelos ateus.
Em artigo veiculado pela revista Cristianismo Hoje, replicado no site de nossa Agência Pés Formosos de Evangelismo Universitário (http://goo.gl/mwxX3), o Professor James Spiegel afirma categoricamente que “As razões para a descrença são mais complexas do que os ateus tentam demonstrar.”. Ou seja, antagonicamente, o ateísmo não é nada “natural”.
Lembro-me, inclusive, de alguns renomados pensadores e cristãos que “acharam” Deus da forma mais natural possível: através da própria criação.
Um deles é Charles Colson, que afirma em seu livro “A fé em tempos pós-modernos” (VIDA 2009) que em 2005, um “ano duro”, quando seus dois filhos foram diagnosticados com câncer e vários outros desafios se apresentaram, chegou a questionar: “Onde estava Deus quando precisei dele?” (p. 40)
Mas as retirar-se para um período de descanso com a família no oeste da Carolina do Norte, em uma manhã ficou fascinado ao contemplar “o magnífico panorama das montanhas Blue Ridge sobressaindo da névoa, com o sol projetando a sombra dos picos mais baixos nos cimos mais altos, e a folhagem brilhando com o orvalho.”
A conclusão a que chegou foi a mais natural possível: “Eu percebi que Deus existe num nível mais profundo que qualquer outra coisa que já conhecera na vida.”
Outro que relata ter tido experiências parecidas é o Pastor Richard Foster que, em entrevista publicada na última edição da revista Cristianismo Hoje (Abril/Maio 2011), afirma que “uma das razões pelas quais eu amo ir para as montanhas e os bosques é porque lá posso ver as obras do Pai na criação. A glória do Criador é revelda na criação…”.
Com base nestas experiências de contato com a exuberante natureza do estado do Colorado, ainda ensina: “Essa olhada na natureza, de vez em quando, faz com que nos desprendamos das coisas que temos que fazer e nos ensina que o mundo passa muito bem sem nós!”.
Poderia-se elencar e citar ainda muitos outros nomes e exemplo, como C.S. Lewis e o seu “Cristianismo Puro e Simples” (W Martins Fontes 2009); N. T. Wright e sua obra “Simplesmente Cristão” (Ultimato 2008); John Stott, que afimra categoricamente que “Crer também é pensar” (Ultimato 2001) etc.
Mas acho que seria desnecessário, né! Não há necessidade complicar algo que é tão simples…!
Em Cristo,
Ronaldo Corrêa
Cuiabá/MT
Ronaldo, nada a acrescenatar. Excelente seu comentário!