Posts Recentes

O Império do Imediato

Posted by on mai 7, 2012 in Cosmovisão | 0 comments

Share

Vídeo produzido a partir da pesquisa de doutorado de Martin Kuhn e apresentado na banca de defesa realizada no dia 26 de outubro de 2011, na Universidade Metodista de São Paulo. Aborda a cultura da urgência no mundo atual.

Read More

Artigo publicado no Mensageiro da Paz – Abril/2012

Posted by on mai 1, 2012 in Publicações | 0 comments

Share

Razões e consequências da guerra cultural dos defensores do liberalismo

Razões e consequências da guerra cultural dos defensores do liberalismo 

Estamos em meio a uma guerra silenciosa. Não se trata de um embate internacional, civil ou étnico, mas sim cultural. Um conflito travado entre os adeptos dos principais sistemas de ideias que movem a sociedade e que apresentam formas diferentes de ver o mundo, compreender a vida e definir o que é certo ou errado, justo ou injusto.

Por muito tempo, essa tensão socialArtigo foi representada pelo embate entre o comunismo e o capitalismo, mas depois da queda do muro de Berlim tal disputa perdeu completamente o seu sentido. Como escreveu o ex-professor de Harvard, Samuel Huntington, em seu livro “O choque das civilizações”, no final da década de 80 o mundo comunista desmoronou e o sistema internacional da Guerra Fria virou história passada. Com isso, Huntington previu uma reconfiguração da política mundial seguindo linhas culturais e civilizacionais. Segundo ele, os conflitos mais abrangentes, importantes e perigosos não se dariam entre classes sociais, ricos e pobres, ou entre outros grupos definidos em termos econômicos, mas sim entre povos pertencentes a diferentes entidades culturais e religiosas. Huntington então vislumbrou um conflito entre as civilizações do mundo ocidental e o mundo islâmico.

Assine o Mensageiro da Paz versão digital e configura a íntegra do artigo.

Read More

O Cristianismo Evangélico perde Charles Colson

Posted by on abr 25, 2012 in Cosmovisão | 0 comments

Share

O Cristianismo Evangélico perdeu no final da semana passada o escritor norte-americano Charles Colson, um gigante da defesa da fé e da cosmovisão cristã.

Colson ficou conhecido mundialmente como ex-assessor especial do presidente Richard Nixon e com o escândalo de Watergate, que o levou a cumprir sete meses de encarceramento de uma pena de três anos. Durante as investigações Colson foi presenteado por um amigo com o livro de C. S. Lewis “Cristianismo Puro e Simples”, levando-o a entregar a sua vida a Cristo e a confessar sua culpa perante o Tribunal.

A partir daí, Colson se transformou num grande defensor da causa do mestre; uma voz contundente da apologética cristã, crítico do secularismo e liberalismo social. Ele fundou a Prison Fellowship Ministries, uma importante organização que tem como missão buscar a transformação de presos e sua reconciliação com Deus, família e comunidade através do poder e da verdade de Jesus Cristo.

Particularmente, Charles Colson tem uma grande importância na minha caminhada cristã. O livro que escreveu juntamente com Nancy Pearcey, E agora como viveremos?, publicado pela CPAD, foi muito importante para a compreensão da fé cristã. Li pela primeira vez essa obra ainda nos primeiros passos da minha caminhada cristã, coincidentemente com o meu ingresso no mundo universitário. Nesse contexto, via repetidas vezes o Cristianismo ser atacado. A mente intelectual e envaidecida de alguns professores e alunos, entupidas que eram pela filosofia humanista e pela sociologia da autonomia e independência, descambavam para a defesa de um pós-modernismo sem precedentes, onde Deus era mais um simples coadjuvante, e as coisas espirituais não passavam de invenção humana.

Mas, o livro deu-me naquela oportunidade combustível suficiente para continuar minha caminhada e recursos para a defesa da fé, fazendo-me compreender que o Reino de Deus é muito mais do que eu acreditava ser, e que os princípios cristãos devem nortear não somente nossa forma de adoração a Deus, nosso relacionamento eclesiástico ou a maneira como realizamos campanhas evangelísticas, mais que isso os valores cristãos devem dirigir nossas condutas ante todas as questões sociais contemporâneas, seja relacionado à política, à cultura, à família, à educação, à ciência e até mesmo ao Direito. Pois que, deve ser encarado como um forma de ver o mundo [cosmovisão], que traduz-se numa “lente fictícia” onde a realidade é a partir dela interpretada.

Compreendi, então, que a responsabilidade da igreja vai além da mera realização de “eventos espirituais” e agendas festivas, sobretudo, ela é responsável por redimir toda uma cultura em decadência e implantar o padrão bíblico de vivência. Seus princípios devem se inserir em todos os campos de atuação do homem. Seus fundamentos precisam adentrar aos vários extratos sociais e intelectuais da sociedade, numa síntese daquilo que disse Cristo: “Vós sois do sal da terra e a luz do mundo”. O sal para nada serve se for insípido. A luz não tem finalidade alguma se estiver escondida. E se ignorarmos essa responsabilidade de redimir a cultura que nos rodeia, diz Colson – nosso Cristianismo vai permanecer particular e ridicularizado.

A vida de Colson nos mostra como a graça de Deus é poderosa e fascinante, capaz de transformar um assessor corrupto e inconseqüente em um poderoso instrumento do Reino.

 

Read More

O voto do Ministro Cezar Peluso contra o ABORTO de anencéfalos; ou: A decisão do STF que reduziu à condição de lixo os fetos malformados

Posted by on abr 14, 2012 in Cosmovisão | 2 comments

Share

Pois então, caro leitores, infelizmente perdemos mais uma batalha (mas não a Guerra) no Superior Tribunal Federal. Mesmo com os brilhantes votos dos Ministros Lewandowski e Peluso, por maioria o Supremo autorizou a “interrupção da gravidez”de fetos “anencéfalos”. Em outras palavras, esse eufemismo quer dizer que foi autorizada a execução eugênica de crianças malformadas.

Vale relembrar a síntese do bem elaborado voto do Ministro Peluso, conforme matéria publicada no site do STF:

“O anencéfalo morre, e ele só pode morrer porque está vivo”, assinalou. O ministro lembrou, ainda, que a questão dos anencéfalos tem de ser tratada com “cautela redobrada”, diante da imprecisão do conceito, das dificuldades do diagnóstico e dos dissensos em torno da matéria.

Do ponto de vista jurídico, o presidente do STF afirmou que, para que o aborto possa ser considerado crime, basta a eliminação da vida, “abstraída toda especulação quanto à sua viabilidade futura ou extrauterina”. Nesse sentido, o aborto do feto anencéfalo é “conduta vedada de forma frontal pela ordem jurídica”. O princípio da legalidade e a cláusula geral da liberdade “são limitados pela existência das leis”, e, nos casos tipificados como crime, não há, a seu ver, espaço de liberdade jurídica.

Os apelos para a liberdade e autonomia pessoais são “de todo inócuos” e “atentam contra a própria ideia de um mundo diverso e plural”. A discriminação que reduz o feto “à condição de lixo”, a seu ver, “em nada difere do racismo, do sexismo e do especismo”. Todos esses casos retratam, de acordo com o voto, “a absurda defesa e absolvição da superioridade de alguns sobre outros”.

Competência do Legislativo

Ao encerrar seu voto, o presidente do STF ressaltou ainda que não cabe ao STF atuar como legislador positivo, e que o Legislativo não incluiu o caso dos anencéfalos nas hipóteses que, no artigo 124 do Código Penal, autorizam o aborto. “Se o Congresso não o fez, parece legítimo que setores da sociedade lhe demandem atualização legislativa, mediante atos lícitos de pressão”, afirmou. “Não temos legitimidade para criar, judicialmente, esta hipótese legal. A ADPF não pode ser transformada em panaceia que franqueie ao STF a prerrogativa de resolver todas as questões cruciais da vida nacional”.

Para o ministro Peluso, a ADPF ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde representa “uma tentativa de contornar a má vontade” do Legislativo em regulamentar a questão. “É o Congresso Nacional que não quer assumir essa responsabilidade, e tem motivos para fazê-lo”, concluiu.

Assista, abaixo, o vídeo com parte do voto do Ministro:

Vale destacar:

“Ao feto, reduzido no fim das contas à condição de lixo ou de outra coisa imprestável e incômoda, não é dispensada de nenhum ângulo a menor consideração ética ou jurídica nem reconhecido grau algum da dignidade jurídica que lhe vem da incontestável ascendência e natureza humana. Essa forma de discriminação em nada difere, a meu ver, do racismo e do sexismo e do chamado especismo.Todos esses casos retratam a absurda defesa em absolvição da superioridade de alguns, em regra brancos de estirpe ariana, homens e ser humanos, sobre outros, negros, judeus, mulheres, e animais. No caso de extermínio do anencéfalo encena-se a atuação avassaladora do ser poderoso superior que, detentor de toda força, infringe a pena de morte a um incapaz de prescindir à agressão e de esboçar-lhe qualquer defesa.

Maranata!

Read More

O brilhante voto-aula do Ministro RICARDO LEWANDOWSKI sobre ABORTO de portadores de anencefalia

Posted by on abr 12, 2012 in Aborto | 4 comments

Share

Como sabem, encontra-se em andamento no STF o julgamento sobre aborto de anencéfalos. Até agora, o placar é de 5 a 1 a favor da descriminalização. O voto divergente foi do Ministro Ricardo Lewandowski.

Nem sempre concordo com seus posicionamentos, mas nesse caso é preciso tirar o chapéu. Ele foi brilhante ao ressaltar (a íntegra do voto encontra-se aqui) que não cabe ao STF agir como legislador positivo, pois “caso o desejasse, o Congresso Nacional, intérprete último da vontade soberana do povo, considerando o instrumental científico que se acha há anos sob o domínio dos obstetras, poderia ter alterado a legislação criminal vigente para incluir o aborto de fetos anencéfalos, dentre as hipóteses de interrupção da gravidez isenta de punição. Mas até o presente momento, os parlamentares, legítimos representantes da soberania popular, houveram por bem manter intacta a lei penal no tocante ao aborto, em particular quanto às duas únicas hipóteses nas quais se admite a interferência externa no curso regular da gestação, sem que a mãe ou um terceiro sejam apenados”.

Além disso, ele ressalta que a técnica de interpretação conforme a Constituição, embora legítima e desejável, dentro de determinadas circunstâncias, defronta-se com duas barreiras intransponíveis, quais sejam: de um lado, não é dado ao hermeneuta afrontar a expressão literal da lei; de outro, não pode ele contrariar a vontade manifesta do legislador e, muito menos, substituir-se a ele. Sendo assim, anota Lewandowski, “não é lícito ao mais alto órgão judicante do País, a pretexto de empreender interpretação conforme a Constituição, envergar as vestes de legislador positivo, criando normas legais, ex novo, mediante decisão pretoriana. Em outros termos, não é dado aos integrantes do Poder Judiciário, que carecem da unção legitimadora do voto popular, promover inovações no ordenamento normativo como se parlamentares eleitos fossem”.

Lado outro, o Ministro Lewandowski observa que “uma decisão judicial isentando de sanção o aborto de fetos portadores de anencefalia, ao arrepio da legislação penal vigente, além de discutível do ponto de vista ético, jurídico e científico, diante dos distintos aspectos que essa patologia pode apresentar na vida real, abriria as portas para a interrupção da gestação de inúmeros outros embriões que sofrem ou venham a sofrer outras doenças, genéticas ou adquiridas, as quais, de algum modo, levem ao encurtamento de sua vida intra ou extra-uterina”.

Para tanto, ele cita o Doutor Rodolfo Acatuassú Nunes, Professor Adjunto do Departamento de Cirurgia Geral da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, na Audiência Pública realizada no Supremo Tribunal Federal:

“A anencefalia é ainda, nos dias de hoje, uma doença congênita letal, mas certamente não é a única; existem outras: acardia, agenedia renal, hipoplasia pulmonar, atrofia muscular espinhal, holoprosencefalia, ostogênese imperfeita letal, trissomia do cromossomo 13 e 15, trissomia do cromossomo 18. São todas afecções congênitas letais, listadas como afecções que exigirão de seus pais bastante compreensão devido à inexorabilidade da morte. Por que foi escolhida a anencefalia para provocar-se a antecipação da morte, ainda no ventre materno, não se esperando o nascimento natural?
Em primeiro lugar, a anencefalia é um termo que induz ao erro. Há uma grande desinformação, que faz prevalecer e difundir a ideia de que a anencefalia significa ausência do encéfalo. Na realidade, anencefalia corresponde à ausência de uma parte do encéfalo. O nome mais correto para anencefalia seria ‘meroencefalia’, já que ‘mero’ significa ‘parte’.”

Esse é um argumento que não pode ser desprezado: a descriminação do aborto de anencéfalos, caso aceito, será a porta de entrada para a autorização do aborto eugênico, isto é, a execução sumária de seres humanos com imperfeições.

Vamos acompanhar os desdobramentos do julgamento do STF.

Read More

Livros: A fé na era do ceticismo e A verdade sobre o Cristianismo

Posted by on abr 8, 2012 in Livros | 0 comments

Share

Sempre que adquiro dois livros ao mesmo tempo, não consigo ler um e depois o outro. A curiosidade fala mais alto e faço logo uma leitura conjunta.

Foi exatamente isso o que aconteceu com A fé da era do ceticismo (Campus) e a Verdade sobre o Cristianismo (Thomas Nelson). Tive que fazer uma leitura alternada, capítulo a capítulo, dessas excelentes obras escritas respectivamente por Timothy Keller e Dinesh D´Souza.

Coincidentemente, os dois trabalhos possuem o mesmo tom e finalidade: apresentar uma defesa racional do Cristianismo numa época de ateísmo radical. Ambos autores utilizam uma apologética cativante e inteligente, com argumentos suficientes para desbancar  a cosmovisão antiteísta.

Keller estudou na Universidade Bucknell, no Seminário Teológico Gordon-Conwell e no Seminário Teológico Westminster, fundou e preside atualmente a Igreja Presbiteriana do Redentor em Manhattan, Nova York.

Dinesh D’Souza é ex-analista político interno da Casa Branca, atualmente é pesquisador do Hoover Institution, na Universidade de Stanford, e tem participado de vários debates públicos em defesa da fé cristã.

A fé da era do ceticismo está divido em 2 partes e 14 capítulos:

Parte I – O Salto da dúvida

1. Não pode existir uma única religião verdadeira

2. Como um Deus bondoso pode permitir o sofrimento?

3. O Cristianismo é uma camisa-de-força

4. A igreja é responsável por muitas injustiças

5. Como pode um Deus de amor mandar alguém para o inferno?

6. A ciência desacreditou o Cristianismo

7. A Bíblia não deve ser interpretada literalmente

Parte II – Os fundamentos da fé

8. As pistas de Deus

9. O conhecimento de Deus

10. O problema do pecado

11. A religião e o Evangelho

12. A (verdadeira) história da cruz

13. A realidade da ressurreição

14. A dança de Deus

Epílogo – Para onde vamos?

Por sua vez, Verdade sobre o Cristianismo  está distribuído em 8 partes e 26 capítulos:

1º Parte: O futuro do Cristianismo

2º Parte: O Cristianismo e o Ocidente

3º Parte: O Cristianismo e a ciência

4º Parte: O argumento do design

5º Parte: O Cristianismo e a filosofia

6º Parte: O Cristianismo e o sofrimento

7º Parte: O Cristianismo e a moralidade

8º Parte: O Cristianismo e você

Os dois livros são sensacionais e a leitura mais que recomendada.

 

Read More

O lugar de Deus na saúde e na doença

Posted by on abr 6, 2012 in Ciência, Cosmovisão | 0 comments

Share

CRISTIANE SEGATTO

Apenas 1% dos brasileiros não acredita em Deus. Foi o que revelou o Datafolha em 2007, numa ampla pesquisa usada até hoje como indicador da fé, uma das características mais marcantes da nossa população. O que acontece com a religiosidade dos outros 99% quando precisam de um hospital? É ignorada placidamente.

Com raríssimas exceções, os profissionais de saúde não levam em consideração o papel das crenças na vida dos pacientes. Deveriam. É no hospital, mais que em qualquer outro lugar, que o doente entra em contato com sua fragilidade e busca apoio na fé. A religiosidade e a espiritualidade não são dados irrelevantes para a recuperação e para o bem-estar do paciente – mesmo quando a recuperação não é possível.

Tão importante quanto saber se o sujeito tem diabetes, hipertensão ou o vírus HIV é reservar um momento para levantar informações sobre sua espiritualidade. Com o objetivo de entender a participação dessas crenças na saúde e na doença. Sem julgar ou tentar modificar a existência ou a falta delas.

Isso raramente é feito no Brasil, mas há um movimento entre os profissionais de saúde (crescente, mas ainda pouco conhecido) que defende a inclusão no prontuário médico da história espiritual do paciente. Dessa forma, ela seria levada a sério e ficaria documentada – de uma forma acessível a qualquer profissional do hospital que tivesse contato com o doente.

A maioria dos pacientes deseja receber mais apoio espiritual durante o tratamento. É o que alguns estudos começam a demonstrar. Durante seu mestrado, a enfermeira oncológica Carolina da Cunha Fernandes decidiu investigar a visão dos pacientes do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo.

Foram entrevistados 75 homens entre 48 e 79 anos com diagnóstico de câncer de próstata. E 75 mulheres entre 31 e 83 anos em tratamento de câncer de mama. Outras 150 pessoas compuseram o grupo controle. Eram cidadãos que participavam de atividades do hospital mas não tinham a doença.

Os resultados dão a dimensão do problema. A maioria (97% dos homens e 86% das mulheres) não haviam conversado sobre suas crenças religiosas ou espirituais com algum profissional da saúde. A maioria gostaria que esse momento tivesse existido (57% dos homens e 53% das mulheres).

Ainda mais interessante: 61% das mulheres e 60% dos homens afirmaram que poderiam ter se sentido melhor ou mais dispostos para o tratamento se tivessem recebido cuidado religioso ou espiritual dos profissionais de saúde.

Esses dados despertam várias reflexões: médicos, enfermeiros e demais trabalhadores dos hospitais deveriam assumir mais essa responsabilidade? Eles vivem assoberbados. São muitos os pacientes a atender, muitos os protocolos e os processos a cumprir, muita papelada a preencher, quase nenhum tempo para olhar nos olhos e conversar.

Outra questão é saber de que forma os médicos poderiam dar conta dessa demanda por cuidado religioso. Médico é médico. Não é líder religioso. A solução parece estar no bom senso. Em primeiro lugar é preciso diferenciar religiosidade e espiritualidade. A religiosidade tem relação com um conjunto de crenças bem estabelecidas e compartilhada com um grupo. A espiritualidade é particular e subjetiva. É, por exemplo, a busca por um sentido na vida.

A espiritualidade vai além da religião. Discuti esse aspecto em outra coluna. No fim da vida, um ateu também tem suas necessidades espirituais. Pode questionar suas ações, seu legado para a humanidade, seu papel nesse mundo. O médico que é capaz de percebê-las e respeitá-las é mais que um profissional. É gente de primeira grandeza.

Neste aspecto da vida, os profissionais da saúde podem fazer muito pelo paciente. Podem, por exemplo, liberar a entrada de um grupo de orações ou avisar um líder religioso que o paciente gostaria de vê-lo. “É preciso agir com flexibilidade”, diz Carolina.

Há ações muito singelas, mas nem por isso menos importantes. “Certa vez uma paciente perguntou se podia colocar água benta nas mãos da enfermeira que ia instalar a bolsa da quimioterapia”, diz Carolina. Outra paciente faz questão de colar um santinho na bolsa de quimioterapia antes da infusão. “Respeitar as crenças e os hábitos pode fazer uma diferença muito grande. Não temos o direito de tirar a esperança de ninguém.”

As razões humanitárias já seriam suficientes para justificar a adoção de ações simples como essas. Mas há outras, de ordem fisiológica. Vários estudos tem demonstrado como algumas práticas religiosas atuam no cérebro e repercutem sobre os hormônios, sobre o sistema cardiovascular e sobre o sistema imune (o que é extremamente importante para quem enfrenta um câncer).

Pessoas que oram ou praticam meditação parecem lidar melhor com o stress. Os níveis de cortisol (o hormônio do stress) diminuem. Assim como a pressão arterial e a frequência cardíaca.

Outras pesquisas demonstram que participar de um grupo religioso – seja ele católico, budista, judeu, evangélico, umbandista ou qualquer outro – traz benefícios por aumentar o suporte social ao indivíduo. O apoio social é extremamente valioso não apenas para os doentes. É um ingrediente fundamental para a sobrevivência e a longevidade.

Com pequenos gestos, médicos, enfermeiros e toda a constelação de profissionais que fazem um hospital funcionar podem garantir dias melhores aos doentes que têm necessidades religiosas. Devem trabalhar para isso, de coração aberto, mas sem desprezar ou incomodar os que não têm fé.

Eles são apenas 1%, mas existem. Merecem tanto respeito quanto os que creem.

E você? Acha que os médicos deveriam dar mais atenção à espiritualidade dos pacientes? Conte pra gente. Queremos ouvir sua opinião.

Fonte: Época

Read More
 Page 1 of 137  1  2  3  4  5 » ...  Last » 

Ube

Pesquisar